Se não surpreende a prisão de Onaireves Moura, por já ser um fato do cotidiano policial, é trágico o que vem pela frente. A prisão de Moura e sua quadrilha pode ser relevante para o noticiário policial. Afinal, não se tem notícia de que no Brasil um dirigente foi para a cadeia três vezes. Mas para o futebol é irrelevante por um motivo: a prisão de Moura não terá efeito na prática, pois todos que continuam na Federação Paranaense de Futebol, e que estão em campanha para as eleições, estavam lá por ocasião dos fatos criminosos, e então direta ou indiretamente, têm responsabilidade. Não se pode desprezar o princípio de Direito, de que a omissão é uma forma criminosa de participação.

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E, aí entram os dirigentes de clubes. Todos, a exceção do Atlético, concordaram com a fraude de descontar dois por cento das rendas a favor de uma empresa laranja, a Comfiar. E todos os clubes, sem exceção, não se preocuparam em saber do destino do dinheiro que era descontado de suas rendas. Se derem um celular para Moura, da cadeia ele é capaz de eleger qualquer um para a presidência da entidade, tamanha a conivência dos clubes com esse estado de coisas.

O futebol, sob o pretexto de ser um negócio empresarial, virou uma manta que cobre o enriquecimento ilícito.

Virou literalmente caso de polícia e os exemplos são quase diários. O Corinthians é o mais recente e o maior deles, transformando-se em causa para investigar a maior lavagem de dinheiro no esporte, em todos os tempos.

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Está se varrendo para debaixo do tapete as estripulias que José Carlos de Miranda andou fazendo contra o Paraná. Ninguém mais fala da agressão que ele praticou contra o patrimônio do clube. Não porque tenha se apropriado de algum valor. Talvez o prejuízo fosse menor, do que causou com a cessão gratuita ao empresário Léo Rabelo, dos direitos de Thiago Neves e Eltinho, que batem nos 5 milhões de reais.

Como acreditar que a prisão de Moura possa ajudar o futebol, se ostensivamente a CBF trabalha para evitar a CPI do Corinthians? Bem concluído: Moura deveria ser solto.

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