Há vida nos coxas

O Coritiba derrotou o voluntarismo do Rio Branco, no Couto Pereira (3×0), ganhou a taça “Dionísio Filho” e, se precisar (pode ganhar direto), já é finalista do Estadual.

No futebol, é como na vida: pode-se imprimir qualquer dimensão a uma vitória ou a uma derrota. O que não se pode é negar ao torcedor o direito de expressar o sentimento pela conquista ou pela perda. A sua dimensão é só ele que tem a fita.

No futebol, não é como na vida: a adoção de prioridades não pode ocorrer aleatoriamente. Quando a torcida está maltratada, é preciso cicatrizar feridas, e aí, uma conquista, a qualquer título, serve no mínimo de alento. O adversário pode até contestá-la pelo aspecto técnico, é coisa do futebol. Mas reduzi-la, é coisa de perdedor. Em especial, de perdedor que sob o pretexto de modernismo, despreza a cultura de vitórias, dando privilégios a de negócios, usurpando a paixão de arquibancada.

No futebol, não é igual na vida: não há milagres. O acaso é você quem provoca. O Rio Branco entrou em campo com um grave equívoco: jogando atrás, quis provocar o Coritiba e levar o jogo para os pênaltis, como aconteceu contra o Atlético. Só que os coxas jogaram com alma e humildade, das quais origina o ideal de vitória.

O jogo foi agradável enquanto o Rio Branco resistiu. Mas, aí, veio o gol de Alecsandro no 1º tempo, o gol de Thalisson Kelven, que exauriu emocionalmente o “Leão da Estradinha”. E com o gol de Paredes, consumou-se o placar clássico, sonho de todo o torcedor: 3 x0. Foi justa a conquista dos coxas. Os limites naturais de um time jovem, de um técnico acadêmico e de um clube que está procurando o rumo perdido, foram supridos pelo ideal que dá vontade de ganhar, elemento raro no futebol mercenário de hoje.

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