A espiral de erros que começou em 2004, no gerenciamento irresponsável do futebol, era o que bastava para já ter derrubado o Atlético. E foram tantos os erros – repetidos e novos -que seria entregue o recibo com o preço justo a pagar.
No entanto, e de repente, um toque superior, sensibilizado pelo sofrimento dessa nova geração de atleticanos, foi dado. Por isso, todo o drama da maior torcida do Paraná está reduzido aos noventa minutos, em Sete Lagoas, contra o Cruzeiro. Pode parecer muita coisa, uma solução impossível, mas não é.
É exigida uma vitória extraordinária do Furacão, no momento em que ele, com Lopes, passou a ser um time no mínimo confiável: compacto, ao juntar os setores e associar uma função a outra, e ao ganhar consciência de que a superação é capaz de vencer os seus próprios limites. Jogou bem o segundo tempo contra o Corinthians e foi excepcional o tempo todo contra o São Paulo.
Dirão que é contra o poderoso Cruzeiro, e em Minas Gerais. Não: apenas contra o Cruzeiro, que ao invés de melhorar e ser poderoso neste final acusa a sua mais grave queda técnica no campeonato. Depois de sete anos sem comando no futebol, depender apenas de si para não ser rebaixado já é uma benção.
O pior adversário do Furacão são os fluídos negativos que velhos e botinudos coronéis geram, porque a desgraça no campo é o único trânsito para pegar de volta o poder.