Opinião

Qual é a da Globo?

Foto: Albari Rosa/Arquivo/Tribuna do Paraná.

A última notícia é a de que a Rede Globo quer revisar com os clubes os valores do contrato de cessão de direitos de televisão. Sugere-se que há um fundo oportunista nessa proposta, por ser imediatamente após a Turner anunciar a sua pretensão de sair do mercado. 

Entendo que é apenas coincidência. Enquanto a medicina se debruça sobre os segredos do COVID-19, não há dimensão das consequências que as patologias do vírus ainda irão causar nas nossas vidas. 

E com a Globo não foi diferente. Conclusiva, a sua carta confessa que foi pega em cheio pela peste, com a redução drástica do seu faturamento. 

A revisão dos valores de um contrato deve ser ambientada nos princípios da boa fé e da solidariedade para se alcançar a isonomia.  Boa-fé a Globo sempre teve. Nunca negou aos clubes a solidariedade de parceira, independente da ausência de concorrência. Se ocorreram conflitos (e foram poucos), fica na conta das variações de idéias que o tempo provoca. 

A revisão, no caso específico, como direito originário das consequências de um evento de natureza extraordinária, não pode ser operada pelo simples ajuste de valores. No caso, entendo que a Globo revisar, também, o aspecto discriminatório dos contratos. Não quero afirmar que a importância de todos os clubes têm que ser valoradas no mesmo nível. Entendo que Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras são a força popular, que é a base de qualquer equação financeira dessa espécie de contrato. 

Ocorre que um corte na receita desses clubes (do Flamengo, em especial), pode não ter o mesmo significado no corte da receita dos outros clubes. A Globo não pode adotar a teoria individualista, isto é, resolver a sua parte e, para isso, priorizar a revisão dos clubes de maior audiência, tratando os demais como complementos. 

É uma boa oportunidade para o Grupo Globo imprimir à sua relação com os clubes, o que se reclama há muito tempo: o mínimo de igualdade.

Enlatados

Sem novidade no front, estamos ocupando um pouco de tempo vendo os jogos de antigamente. A visita ao passado e o reencontro com os ídolos do nosso tempo, nos incentiva a dizer: não se faz mais craque como antigamente. Mas, nessas viagens, aprendemos outra verdade: não se faz mais locutor como antigamente. Lamento que o Grupo Globo tenha destacado o núcleo carioca de narradores (a exceção de Vilani),  para os mundiais de 1982 e 1970.  

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