Se formos mudar as coisas do modo como devem ser mudadas, teremos de fazer coisas que não gostaríamos de fazer. Petráglia e Bacellar podem não saber que esse pensamento foi deixado por John F. Kennedy, mas estão seguindo-o à risca praticando um gesto nobre: abraçaram-se em público transformando-se Atlético e Coritiba em irmãos siameses.

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Gesto nobre, sem dúvida. A união entre rivais tornada pública tem um efeito poderoso: desarma o espirito de maldade. Bem trabalhada, é capaz de frear o ânimo para a violência, que no futebol tem caráter premeditado.

Gesto nobre, sem dúvida. Pela primeira vez na história do Atletiba, desmente-se o pensamento de Churchill: os inimigos, às vezes, também, são capazes de mandar flores. Pode ter um motivo de fundo, e tem; pode haver um componente oculto, e há; mas, o importante é o motivo aparente, que é o de amparar a grandeza de Atlético e Coritiba forjada no amor por uma causa, preservando-os como valores indispensáveis a todos nós.

Jogo

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Em Atletiba sempre há um favorito, é a regra da tradição. As surpresas provocadas pelo inesperado não são muitas. Ao contrário, são raras.

Neste Atlético não há nenhuma certeza, só duvidas. Os dois são iguais por serem fracos no aspecto técnico. Os coxas poderiam ser favoritos em razão dos fatores campo e torcida. Ocorre que esses fatos só exercem influência decisiva, quando o time que os possui tem qualidade.

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No aspecto técnico, não me lembro de que Atlético e Coritiba terem ido para um clássico tão enfraquecidos como irão para este de domingo.

Fome

Não é linguagem figurada, mas literal: o Paraná joga em Maringá depois de passar treinando sem uma alimentação regular. Se perder o jogo será possível atribuir como um dos motivos, a fome. Se o Conselho Deliberativo não intervém, é preciso que a torcida o faça: acabar com esses fatos que provocam humilhação ao clube. E isso só se consegue mudando a administração.