Nem pensem os atleticanos em alimentar o otimismo de vitória sobre o Grêmio, só porque os Coxas o golearam de quatro. No futebol não se pode associar o futuro a um fato precedente. Há que se dar relevância ao velho princípio de que cada jogo é uma história. O jogo de domingo no Couto não foi ambientado pelo critério decisivo, como se imprime nos jogos da Copa do Brasil. Naquele, a goleada sofrida pelo Grêmio foi absorvida pelos seus números gerais no Brasileiro. Hoje, uma goleada tem significado eliminatório, pois o equilibrio dos dois times torna, em tese, impossível a reversão no jogo em Porto Alegre.
Os atleticanos devem ter otimismo, não pelo que aconteceu com o Grêmio, mas pelo que o Atlético anda jogando em Vila Capanema. Jogo que obriga-o a passar dos limites naturais, como é a obrigação de todo o time que precisa vencer, sem sofrer gols. No futebol isso se consegue com o equilibrio entre todos os setores. É quando se desafia a perfeição.
Não se deve brincar com os gaúchos, ensina a história. Conta Jorge Luis Borges que “um gaúcho com a faca levanta um moreno, arroja-o como um saco de ossos, o vê agonizar, agacha-se para limpar a lâmina, desata o seu cavalo e monta devagar, para que não pense que está fugindo”.
Nobreza
Pode parecer falta de amor à pátria, mas não é. O sentimento de um jogador de futebol não está necessariamente atrelado ao interesse material. Há outras circunstâncias que concorreram para a sua criação e a sua exteriorização. Por isso, não se pode interpretar o gesto de Diego Costa em escolher a Espanha para jogar a Copa do Mundo, a não ser como uma opção por sentimento.
Diego não tinha nenhuma razão para acreditar em Luiz Felipe e Parreira, de que estaria na Copa do Mundo. Mas tinha todas as razões do mundo para escolher a Espanha.