Ninguém explora com mais brilhantismo um fato sobre futebol do que os jornalistas argentinos. Os elogios e as críticas não são centrados apenas no conteúdo técnico, porque esse esgota qualquer análise. O brilhantismo está na projeção das causas e conseqüências do fato à sua natureza subjetiva, impregnando a dissertação de sentimentos e ironias.

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Ninguém preserva os seus ídolos como o povo argentino. A idolatria é eternizada como se uma lei divina. As gerações acabam, e por sucessão, as gerações adotam o ídolo como se fosse contemporâneo à sua época. Se morto, o ídolo de alguma forma é preservado como se vivo fosse.

Carlos Gardel, o cantor de tango, morreu em 1935. No entanto, os argentinos preferem sobrepor a vida imaginária à morte verdadeira de Gardel. Criaram uma frase histórica para quem pergunta sobre a morte do grande ídolo: ?Gardel vive. E canta cada vez melhor a cada quinze minutos?

Lembrei dos argentinos, à propósito da exaltação que se fez a Giovani Gionédis, presidente do Coritiba. Foi escrito: ?Gionédis melhora de quinze em quinze minutos.?

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Estava eu profundamente enganado, porque Giovani está sendo tão esplendoroso como presidente dos coxas, que imaginei que ele melhorava a cada segundo. Como Gardel em vida.

Se Gionédis não conseguir diminuir esse intervalo, nunca diminuirá a distância que o separa como dirigente de Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético.

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E vejam que Mário Celso ainda não aprendeu bem futebol. Se um dia aprender, a distância será medida em anos-luz, e então outras gerações, provocadas sobre a história, irão dizer que Petraglia melhora de quinze em quinze minutos.

Como Gardel morto.