Futuro santo

Sejamos justos: o Atlético não ganhou do Fluminense no Maracanã (2 a 1) porque jogou bem, embora tenha sido excepcional. Mas ganhou, porque o goleiro Cléber, com a sua cara de bebê Johnson, fez um jogo comovente. À certa altura, pegou aquela bola chutada no chão por Evando, e encheu o vazio do Maracanã de lembranças dos velhos tricolores, que ali estavam. Lembraram do místico Castilho.

O menino Cléber, com o seu rosto de Mozart aos sete anos, compondo para cravo, não negou uma única bola: por baixo, por cima, e em qualquer canto pegou pegado sem dar rebote. Não diria que fez milagre, porque milagre é coisa de santo, e santo faz milagre e desaparece. Felizmente Cléber ainda é um humano, um pecador, vulnerável a erros. Talvez, continuando assim, sem cair nas tentações dagobertinas, vai chegar o dia – que será canonizado subindo aos céus, sentando à direita do pai, vestindo a canarinha. O pai, também é mortal. É Dunga.

Mas não se deve isolar o monumental Cléber como se ele fosse capaz de ser sozinho, e esquecer do Atlético.

Sejamos justos: os dois gols no Maracanã não foram alienados pelo casuísmo. Foram pelas circunstâncias da forma, embora convencional, a que o Furacão se propôs jogar, e que o Fluminense aceitou: atrás, para o uso do contra-ataque com o sortudo Marcos Aurélio, e depois com Dênis Marques, que volta a ser o grande jogador de 2004.

A vitória ainda não foi capaz de matar todos os fantasmas atleticanos. Embora mais afastados, eles continuam por ai. É que o embrulho deste campeonato guarda tantos segredos, que agora, pelo menos dez clubes correm com a mesma proporção, o risco da desgraça ou da consagração.

Derrota

O Paraná voltou a perder. Agora para o Juventude e no Pinheirão, 1 a 0.

A questão não é saber porque perdeu, mas se a nova derrota sinaliza uma fase de decadência.

Vi o jogo, e bem antes do final, já tinha concluído que o Paraná alcançou o limite. Não jogou menos do que joga, mas apenas se tornou previsível. Quando a força de um time está no conjunto, é preciso se dar variantes. Caso contrário, torna-se previsível. Dai para a vulgaridade é um passo só. A derrota para o Juventude poderia até ter sido normal, se não fosse a submissão tricolor.

Camisa

Vi pouco do jogo dos coxas, mas não precisei ver mais. É que foi daquelas vitórias em que a superioridade começa e termina na força da camisa. Ganhou por dois a um contra um adversário limitado, e contra uma arbitragem de equívocos.

O Coritiba já alcançou a fase em que superou a insegurança, deixou de se submeter ao equilíbrio da competição. Faz o papel de quem é um ex-campeão deve fazer na segunda divisão. O que o Atlético Mineiro está longe de conseguir.

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