Futebol e ética

Li alguns documentos enviados por Moura na sua investida contra Petraglia. Fosse outro o denunciante, no mínimo ficaria a dúvida se Mário Celso Petraglia está apenas no exercício do seu amor pelo Atlético.

A aparência é a de que a compra e venda das cadeiras da Arena foram realizadas em benefício direto ou indireto de alguém próximo a ele. E que as obras principais do CT do Caju foram executadas por pessoas ligadas à família dele.

A questão passa a ser outra: existia uma proposta menos onerosa, do que os valores pagos a quem recebeu o benefício da compra de cadeiras e da construção?

Segundo exemplo:

O escritório de advocacia de Giovani Gionédis presta serviços ao Coritiba, do qual o presidente é Giovani Gionédis. A questão é a seguinte: um outro escritório de advogado cobraria menos que o de Giovani cobra diante da extraordinária demanda de ações contra o Coritiba?

Terceiro exemplo:

Com raríssimas exceções, os jogadores do Paraná pertencem ao fundo de investimento criado por ex- diretores, presidentes, conselheiros e atuais diretores do clube. O presidente Miranda, eventualmente é convidado a participar. Há um diretor, por exemplo, o Vavá, que investe a sua quota em nome da mulher e da filha.

A questão é saber se os investidores não estão tendo benefícios em prejuízo do Paraná?

Existem negócios dos clubes envolvendo interesses de seus dirigentes, não há dúvida. Quando denunciados, devem ser investigados, inclusive publicamente.

Dizem que é legal, mas não é moral. Em tese, é contraditória essa atenuante, porque não há como se sustentar uma legalidade quando o fato não se concilia com as regras éticas.

O conceito clássico de ética diz respeito à conduta humana: de um lado o Bem e de outro lado o Mal. No passado era muito fácil estabelecer essa divisão, porque os principais valores de vida eram absolutos.

O uso desse discurso está complicado, porque vivemos numa época em que os valores não são mais absolutos.

No caso dos exemplos, a questão mais importante é saber qual o limite da ética? Quais são os nossos valores a serem preservados?

Eis o que ensina o professor de ética da USP Renato Janine Ribeiro: ?Todas as condutas foram relativizadas. É por isso que se torna essencial mostrar às pessoas como é importante que elas enunciem seus próprios valores, e não apenas sigam valores impostos por outrem. É preciso que as pessoas descubram seus próprios valores e sejam coerentes com eles. Elas devem pensar, também, quais seriam os resultados, para elas e para a sociedade, de uma escolha?.

O que não se pode é negar um fato quando ele existe.

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