Não é má vontade, nem estado de mau humor. Mas dizer que não há nada pior do que o Campeonato Paranaense, é a mais pura sinceridade.
Veja só o jogo de Rolândia. Tudo absolutamente ruim. No campo apertado, entre buracos e touceiras, o Atlético foi cumprir sua obrigação imediata do campeonato: jogar com o Nacional no infernal calor do norte. E desta obrigação, surge uma outra: ter que vencer, porque se não vencer um semi-amador e tão primário adversário, obriga-se a se submeter aos maus tratos de penas de quem se acha dono da verdade absoluta.
O Atlético ganhou de dois a um. Com um time de sete reservas, foi inteligente: ao invés de usar o talento de grande, fez-se de propósito igual ao Nacional, e resignado e humilde, pôs-se a jogar um futebol de roça.
De bom mesmo foi a volta do menino Evandro. Em três ou quatro lances mostrou ser craque, e que craque joga em qualquer lugar. Na cidade ou na fazenda, tanto faz.
Dúvida
Nada acontece por acaso. Até o imponderável no futebol tem as suas razões. Com o Paraná, por exemplo: ou contratou mal ou o discurso de Barberi já terminou.
O empate a dois gols com o improvisado União não deve ser analisado como um fato eventual, mas sim de rotina. Não foi neste jogo que o Paraná jogou mal. Em todos, e se não perdeu a maioria foi porque Flávio o salvou.
Barberi não é treinador ideal por muito tempo. Sua única virtude está na busca de fatores que levam o jogador a se superar. Superação não é virtude natural mas por ser acessória, é eventual. Só no grito do técnico é impossível. Futebol não tem segredo: é fundamental jogar, e aí entram as virtudes do jogador e o projeto tático do treinador; o resto é acessório, não obrigatoriamente necessário.
Vitória
No Couto Pereira, os coxas ganharam do Paranavaí aos trancos, no final do jogo com um pênalti contestado, 2×1. Como no futebol nada ocorre por acaso, já escrevi, o simples fato de vencer já faz justiça.
Ouvi o jogo com Fernando César na Banda B, e foi possível extrair que foi jogo de estadual: mesmo jogando mal, o grande em cima do pequeno posto na retranca.
Mesmo sendo justa a vitória, o Coritiba tem que parar de acreditar no canto da sereia. Ou dos meninos de ?vinte milhões de dólares.?