Com 32 mil pagantes no Mineirão, Atlético Paranaense 3×0 Cruzeiro.
Às vezes, o brilhantismo de um time não está na estética do seu jogo, mas na sua proposta de fundo para a partida. O Furacão fez uma armadilha e o Cruzeiro nela caiu. Jogou como se não tivesse uma ambição além do empate: com as linhas recuadas, deixou-se dominar. Jogava assim consciente de que o Cruzeiro lhe era superior em campo por sua conveniência, mas que em um dado momento iria falhar.
Já sem Walter e Vinícius, no segundo tempo, dentro da sua proposta, o Atlético foi brilhante. Poucos resistem um jogo inteligente, mesmo que seja rústico. Disseram na televisão, que o gol de Pablo, o mais bonito da goleada, saiu de um chutão de Weverton. Vejam o lance: o goleiro não deu o balão aleatoriamente, ao contrário, viu Pablo e Marcos Guilherme próximos a área com o Cruzeiro adiantado. Nos dois gols de André Lima não houve chutão: no contra-ataque, a bola foi para o artilheiro.
Entre os quatro primeiros, o Furacão está de volta.
Otávio jogou para ele, para o Atlético, e para o técnico da seleção brasileira. O subconsciente de Tite o traiu. Quando citou o nome de Otávio, para ilustrar uma posição, quis falar o que sentia.
Orvalho
Os ecos da alegria portuguesa continuam chegando ao Brasil. Talvez, exista uma explicação: o português é consciente de que não verá tão cedo uma conquista igual à de Paris. Foi dramática por ter sido uma oferta da ilusão que foi criada por Cristiano Ronaldo e o treinador Fernando Santos, uma espécie de Fernando Pessoa da bola, e por eles transformada em improvável realidade. No cenário mundial do futebol, é apenas um ponto dentro de uma curva já tomada por Brasil, Alemanha, Itália e Argentina. Isso pouco importa quando se tem um professor da alma como Fernando Pessoa já tinha ensinado aos portugueses: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.
Os portugueses continuam chorando. É que ganharam o título jogando com amor e com alma. E jogaram com um sentimento tão puro, que choram orvalho, como no fado de Carlos Do Carmo: “Por amor damos a alma. Damos corpo damos tudo. Até cansarmos na jornada. Mas quando a vida se acalma. O que era amor é saudade. E a vida já não é nada. Mas quando a vida se acalma. O que era amor é saudade. E a vida já não é nada”.