Furacão da Vila

A união do bom senso com a humildade é trânsito para um diálogo que conduz à compressão. Mesmo que, às vezes, sejam virtudes temporárias, obrigadas a emergir pela necessidade. A consequência é a solução que se procura para evitar o pior. Mas, quase certo, derrotá-lo com uma solução definitiva.

O gesto do presidente Petraglia de ir ao Paraná pedir emprestado o estádio da Vila Capanema foi grandioso pelos mais diversos motivos. Destaco dois: evita um confronto com o Coritiba pela imposição da lei, o que na prática se torna indesejável para o próprio Atlético, reduzindo a zero qualquer diálogo futuro para o Campeonato Brasileiro, e resolve de forma imediata o problema de estádio para o Campeonato Paranaense.

A questão dos sócios pode ser resolvida com o uso do bom senso pelos próprios sócios. É possível propor-lhes um rodízio a cada jogo. É preciso que o sócio ganhe consciência de que o Atlético está iniciando um período em que todos os seus torcedores precisam renunciar a determinados direitos, sem abandonar o clube.

A privação temporária de direitos aos sócios é em razão de um bem maior, que será oferecido em apenas 18 meses, que é a Arena da Baixada. E há um certo romantismo na relação Atlético e Vila Capanema. Foi lá que, em 1968, Sicupira fez o mais belo gol de bicicleta da história, contra o São Paulo. E foi lá que, também em 1968, um baixinho de nome Madureira, emprestado pelo Ferroviário, fez o gol mais bonito da história do estádio: partindo com a bola do meio-campo, driblou toda a defesa do Santos de Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo, e venceu o goleiro Laércio. Foi lá que comecei a sofrer pelo Atlético.

Em 1968, estava atrás do gol da concha acúustica defendido por Gil, e vi Paulo Vecchio vencer Bellini no alto e empatar (1 x 1) dando o título aos Coxas.

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