Fruto envenenado

Porque sou critico demais, um dia desses um leitor escreveu para o “Bate boca” sugerindo que eu fosse embora daqui. Leva ele, Neymar, bradou. No futebol, todos nós queremos ter mais do que se pode. Nossa paixão torna-se ambiciosa em razão da sua ingenuidade diante das promessas.

Então me proponho humildemente deixar de ser o que Nelson Rodrigues chamava de solitário incomunicável. Peço ao torcedor do Atlético que me ajude a analisar esse inicio de Brasileiro, no qual de seis pontos o time, ganhou apenas um.

Responda-me: o que acha de Derley e de Botelho? E de Jonas, Felipe e de Ederson? E do guerreiro Deivid, que quatro anos depois de ter surgido não aprendeu a dar um passe? E que mal pergunte: há esperança em Marcão e Marcelo? E sem eles, pode haver vida com Ciro? Agora, para complementar o raciocínio, caro leitor, responda: todos esses, dirigidos pelo professor Drubscky, são capazes de formar um time?

Não sou portador da nostalgia do impossível. Mas também não tão ingênuo para acreditar na farsa de que tudo é possível. Esse time do Atlético é um condutor de enganos. Essa verdade não é dita pelo coração, mas pelos fatos: trata-se do mesmo time que só voltou para a Série A em razão daquela bola que Cléberson tirou na risca contra o Paraná. É o mesmo time que perdeu jogos amistosos para reservas do Goiás, do Atlético Goianiense e do Cruzeiro. Acreditar nesse time é aceitar com consciência o fruto da árvore envenenada.

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