O Brasil já está na Copa da África do Sul.
E não obstante os gritos em delírio do locutor chapa-branca, o torcedor se mostra insensível. Quando o jogo termina, e mesmo que seja em vitória soberba como a sobre a Argentina, não se ouve fogos de artifício e nem festejos por emoção.
Qual a razão de tanta frieza do povo brasileiro diante das vitórias desta Seleção?
A indiferença não se limita à Seleção Brasileira, embora seja essa a referência para demonstrar tal estado da alma. Nosso povo vive uma crise de sentimentos, que se os tem, não os expõe. Os princípios, constitucionais ou não, que foram criados para preservá-los, hoje são subtraídos pela corrupção, e em especial, pela impunidade que a incentiva.
Talvez essa inação do torcedor diante de grandiosa vitória seja a forma que ele encontra de não participar de trambiques, que originam esse estado de hipocrisia.
O torcedor sabe que o futebol deixou há muito de ser um segmento de ideal, produtor de emoções naturais e conforto. As entidades de administração do futebol e a maioria dos clubes não passa de um dos quintais de Brasília. Como na casa, no quintal combinam-se os interesses, produzindo um estado promíscuo, que estanca o sentimento do povo. O torcedor não é bobo, há tempo reparou no buraco que se criou quando o futebol se vinculou à vida real, e passou a ser mais um segmento que se embaraça nas questões morais produzidas a partir dos “imortais” Sarney, Collor.
Não há mais encanto por nada.
O imortal Nelson Rodrigues, que fazia do futebol um drama, para remetê-lo a uma dimensão de eternidade, ficaria insensível. Fosse hoje, não escreveria que a Seleção Brasileira é a Pátria de chuteiras.
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Crise
Bastou um telefonema e pronto: o treinador Sérgio Soares, que já é de terceira categoria, apresentou ao Paraná o pedido de demissão com o conforto de “não precisa pagar nada”, e foi embora para o Santo André.
O fato não deve ser encerrado com a demissão voluntária de um profissional, mas o desprezo que se dá ao Paraná como instituição, nos dias de hoje. Mais grave que a crise técnica e a crise financeira no Paraná, é crise institucional.