Freguesia

Dizem os donos de botecos que ainda há fregueses irreverentes. Pulam do outro lado do balcão, e ficam por lá como se donos fossem.

No futebol, situações como esta existem e não passam de simples coincidências. Antigamente dizia-se que era freguês aquele time que durante um determinado tempo não ganhava do outro. Para lembrar quantos jogos e quanto tempo, bastava uma boa memória, como a do inigualável Oldemar Kramer, plantão da Rádio Clube.

Hoje em dia, o conceito de freguês foi sofisticado. Joga-se um programa no computador e pronto: surge o freguês em toda a sua dimensão.

O Atlético joga contra o Paraná, na Arena da Baixada, onde para quem nunca perdeu. Os números são massacrantes: em anos são sete, em jogos são quinze, sendo oito vitórias.

Não ligo muito para números passados, em se tratando de futebol. No caso, o Atlético não tem o Paraná submisso na Arena, em decorrência de fatos casuais ou alienados a sorte ou azar. Esses números são como qualquer número no futebol: o Furacão ganhou porque o era melhor ou porque foi melhor no momento de cada jogo.

Mas nenhum dos quinze anteriores foi tão equilibrado como pode ser este de hoje. São dois times de características próximas, em especial a de criar situações imprevistas para flagrar o adversário no erro.

O Atlético, nos últimos jogos, mudou um pouco. Passou a agrupar, para jogar mais do que correr. Mas ao longo de um jogo, não renuncia a característica do futebol marcado e veloz, que é marca natural do Vadão.

Um jogo de equilíbrio individual e técnico já autorizaria a previsão de um grande jogo. Só que existe um elemento a mais: este será ambientado em um aparente estado de rivalidade, mas que na prática ainda não existe.

Rivalidade se faz através dos tempos, e não pela ocasião.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google