Pronto. Estão no ar pelas rádios, pela boca do povo e pelos sentimentos, as projeções para os Atletibas que irão decidir o Estadual. Não existe nada mais confortável para tratar sobre futebol. Por paixão se admite uma projeção temerária, pois sobre o sentimento, às vezes, não sem tem controle. Mas não se aceita essa projeção contrariando princípios da coerência, principalmente se é feita por quem tem obrigação perante a opinião pública.
Entendo que nenhuma proposta de futuro para o título possa desconsiderar o fato mais importante que precede essa final: o Atlético não se propôs a disputar o título. Para disfarçar o motivo de fundo, que era evitar a pressão de sua torcida em caso de fracasso, escalou um time e lhe mandou chamá-lo de “sub-23”. Essa identidade no futebol se confunde com improviso, ganha o significado de dúvida e fragilidade.
O sentimento por um time permite tudo, menos a hipocrisia. O Furacão ganhou o direito de ser finalista, muito mais pelo fracasso do Coritiba no returno, e muito pouco em decorrência da evolução de um projeto, que Petraglia, agora diz que foi pensado, o que soa como uma maldosa ironia. Não se explica como acidente a goleada sofrida em Ponta Grossa (4×1), em um jogo que até o final tinha caráter decisivo.
É muito cômodo para Petraglia justificar uma perda sob o pretexto de que em nenhum momento houve proposta de título. E se ganhar, exaltar a si próprio como idealizador do projeto.
A grande história do Atlético não permite lhe dar a identidade de franco-atirador.