Desta vez não teve a retranca do Maringá para explicar o pobre 1×0, em um lance dado pelo goleiro, no Janguito. Desta vez não teve a chuva, que fez a areia virar barro em Paranaguá, para explicar o pobre 2×1 contra o semi-amador Rio Branco, com dois gols improváveis de Deivid. Desta vez o motivo imediato saiu do fundo e foi escancarado: o Atlético empatou sem gols com o Jotinha, porque como das outras vezes, jogou mal. E se não perdeu foi pela ânsia de Tomas chutar sem ver que estava sozinho na frente de Weverton. E se perdesse seria absolutamente justo. O Atlético tem mais time do que jogo. Cristóvão justificou o desgaste do time. Das duas uma: ou o treinador tem razão, e aí desmente o trabalho científico de preparação, ou está transferindo responsabilidade.
Cristóvão Borges é o único treinador que não pode usar como matéria de defesa, o fato usual dessa época, que é o início da temporada. O time não é só o mesmo da última primavera quando chegou, como ganhou mais qualidade com Paulo André na zaga, Vinícius no meio, André Lima e Anderson Lopes como opções de ataque. Nem bem começou o ano, o Furacão parece em tédio. Por ser desorganizado, não tem um jogo contínuo. A defesa continua insegura por causa de Vilches e o meio inacabado por causa de Marcos Guilherme. Os bons momentos são simples fragmentos quando a bola é roubada por Deivid, na saída com Otávio, nos lances pela esquerda com Roberto, e jogada com Vinícius. Concordo: com Walter e Nikão o time será outro. Tenho certeza de que no plano individual será. Mas se não ganhar uma ordem tática, a qualidade desses dois será absorvida e irá virar, também, fragmentos.
Desengano
A cada jogo do Coritiba, a sua torcida deve estar ficando atordoada. Mais ainda quando se submete ao domínio de um time de empreitada, como é o Toledo. É que vai se confirmando o que se esperava: o comando do futebol entregue a curiosos manteve o time que quase foi rebaixado para a segunda divisão, e deu-lhe um técnico com péssimo histórico para comandá-lo. Todos os coxas saíram em má situação da derrota (3×2) em Toledo: o técnico Gilson Kleina, os jogadores, a exceção de Wilson e Kleber, e a diretoria. Quando não há recursos individuais, recorre-se a um princípio básico que é o agrupamento dos jogadores. Nem o básico Kleina consegue fazer. Só há atenuantes para os jogadores: jogam no limite estreito de cada um. Nem bem começou o ano, o Coritiba, assim, já está desenganado.
Amanhã escrevo sobre o Paraná.