Mais importante saber que Adriano foi embora para o Cruzeiro é saber qual foi a imediata e definitiva razão. Quando se isolou no comando do Atlético, livrando-se da fiscalização necessária e saudável que freava as suas idéias, Mário Celso Petraglia projetou o Atlético de acordo com as suas propostas de empresário comercial.

O resultado está aí: o Atlético como se fosse um pequeno Brasil (ente público) está inchado. Como incentivo à profissionalização de todos os setores do clube se paga salários aos executivos inconciliáveis com a realidade do futebol brasileiro. Não se paga trinta mil reais para um jogador, mas se remunera pela mesma importância alguns executivos no CT do Caju leigos em futebol. Por isso se gasta mais do que se arrecada. Em conseqüência a sua estrutura que era sadia em razão de um gerenciamento racional, tornou-se absurdamente cara. O mais grave é que esse descompasso que aumentou o clube sem fazê-lo crescer no campo, não trouxe resultados objetivos: mais se perde do que se ganha.

A cessão de Adriano ao Cruzeiro só teve um motivo: o Atlético precisa de dinheiro. Precisa vender pelo menos mais dois jogadores. Com certeza Ilan; talvez Jádson. A estrutura prometida em abril de 2002 de disputar títulos mantendo os grandes jogadores, na prática não existe. Confunde-se estrutura material com a estrutura de idéias, nesta incluindo a sua execução. Aquela sem essa se torna temerária.

Em razão da falta de dinheiro no clube, Petraglia está absolutamente correto de negociar Adriano por um milhão de dólares. Mas precisa aceitar e enfrentar a verdade de que se transformou em um dirigente comum, que incha o clube e depois usa o comodismo de vender o craque para tirá-lo do aperto.

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