Por obrigação de função, afastamo-nos do futebol como um valor de vida, para tratar do futebol como trânsito para benefícios através de ilícitos. Entramos e não sabemos quando iremos sair, deste mar de lama do Tarumã, conseqüência da imobilização moral de duas décadas. E Atlético e Coritiba, vejam só, jogam hoje partidas fundamentais para traçar destino neste campeonato, e nós aqui obrigados a repercutir o depoimento do árbitro Evandro Rogério Roman, que deu nome aos árbitros envolvidos em corrupção.
O que mais traumatiza é que boa parte da culpa e da responsabilidade é da imprensa paranaense, com raríssimas exceções. As exceções estão na consciência de cada um de nós. É uma questão de tamanho da carapuça. Serve ou não serve. A outra parte é dos dirigentes de clubes e ligas.
Por aqui se vê apenas o que quer. Foi preciso vir a ESPN Brasil promover a investigação e colher as denúncias, para que fosse mostrado publicamente o estágio em que chegaram a corrupção da arbitragem e o desvio de comportamento de dirigentes da Federação, e até do presidente de Justiça Desportiva, braço de segurança em qualquer segmento da sociedade. O mais grave: em um programa de setenta minutos, a ESPN Brasil provou o que os dirigentes e a imprensa paranaense sabem há vinte anos.
Falta prova, não porque ela não exista, mas porque não se procura por medo ou conveniência. Ninguém quer encontrá-la, porque a encontrando não saberá o que fazer com ela.
O árbitro Evandro Rogério Roman mostrou quanto se é pequeno e inexpressivo no futebol paranaense: dirigentes e grandes partes da imprensa, lançam candidato à reeleição, fazem discursos pela reeleição das mesmas propostas que ocorrem há vinte anos. Na última vez, o Atlético relançou e o Coritiba sustentou este comando na Assembléia, que o reelegeu. E os ?comunicadores? aplaudiram.
Evandro convenceu a opinião pública sem precisar de um único pedaço de papel; e sua palavra se tornou uma verdade sem recorrer há uma única prova material. Não precisou mais do que o seu ideal pelo futebol, que decorre da sua credibilidade pessoal e profissional. O bem que Evandro causou poderia ser bem maior se houvesse coragem da imprensa e dos dirigentes em continuar o trabalho de limpeza na Federação Paranaense de Futebol.