Para o Fluminense, a diferença é de cinco pontos em doze a serem disputados. Uma diferença razoável, que daria certa folga em um campeonato marcado pelo equilíbrio.
Sendo esse fato verdade, não existiria nenhuma razão para o Coritiba temer tanto o rebaixamento, ao ponto de adotar a teoria de que Fluminense e Botafogo tendem a receber benefícios de gabinete.
Mas o Coritiba deve limitar a sua reação a esse ambiente de conspiração? Qualquer integrante do G-9 poderia externar esse sentimento, menos João Carlos Vialle, que é gerente e responsável pelo futebol. Soa que Vialle quer justificar o momento de insegurança do time, que não decorre apenas de equívocos individuais e técnicos no campo, mas da transigência (quase uma omissão) de comando dele próprio no futebol. Marcelinho Paraíba está se fazendo de estranho no ninho, viajando em vôo separado e ficando em suíte individual.
Certa vez o histórico Telê Santana, o maior da história do futebol brasileiro, falou que às vezes o treinador se sente sozinho. E por mais que ele evite influência de alguém, sente necessidade de conversar com alguém. “Mas no futebol brasileiro é difícil, porque o dirigente é amador, fala sem a razão”, explicou Telê.
Ouvi ontem uma entrevista de Ney Franco, e extrai das suas palavras uma certa angústia, própria de quem está só em momento difícil. Só que imagino, é alguém que possa conversar, trocar ideias, inclusive censurá-lo.
Existe forma de conversar com o técnico sem interferir no seu trabalho. A forma está na motivação da ajuda que afasta a ideia de intromissão. Mas para isso é preciso entender princípios básicos de futebol. E aí Vialle se depara com dificuldades naturais, que provocam limitações para o diálogo.
Tico Fontoura, que conhece esses princípios básicos, deveria ficar mais próximo de Franco. Mas a fogueira das vaidades pode queimá-lo.
Não há um outro
O presidente Cirino tem que apagar o fogo que se bota no clube. O cancelamento do show de Claudia Leitte, por mais forte que tenha sido o motivo, não se justifica. Se o promotor não tinha dinheiro para bancar, a responsabilidade é de quem contratou o promotor. Chico Araújo e Fontoura, coitados, têm que correr atrás do dinheiro, isso quando não se obrigam a sacrifícios pessoais.
O Coritiba terá que resolver tudo no sábado contra o Atlético Mineiro.
Se não ganhar, aí sim, os cinco pontos de diferença vão virar zero.