Fogos

Fogos estouraram na madrugada, saudando a derrota do Coritiba na Copa do Brasil. Foram os atleticanos, sem dúvida. Não deveriam. É que o sentimento de rivalidade só é saudável quando a sua exposição não é motivada pela perda do rival. Se o time do coração vai mal, essa reação festiva perde a graça.

Uma forma de dar grandeza ao time do coração quando ele vai mal, é ficar em silêncio. É quando se respeita a si próprio. E o Atlético vai de mal a pior. A final da Copa do Brasil desviou a atenção para o que havia ocorrido 24 horas antes em Paranaguá: o futebol do Furacão na vitória sobre o Ipatinga (1 x 0) foi de um nível tão baixo, que se tornou rasteiro, e, ao invés de vaias, provocou depressão.

O treinador Jorginho está conseguindo fazer o que parecia impossível: piorar o time. E as fortes emoções nem começaram. Saci e Renato Chaves já podem jogar contra o ABC.

Lições

O futebol brasileiro passou 23 anos comandado por Ricardo Teixeira. Agora se sabe formalmente pela Justiça suíça o que o notável jornalista Juca Kfouri sempre denunciou: Teixeira e Havelange receberam dinheiro, que o procurador suíço do processo diz que é “ilegal e imoral”. E Ricardo garantia que “não precisava disso, porque se tornou rico no mercado de ações”. Ouve-se o mesmo argumento de outros dirigentes, amigos de Teixeira, frequentadores de sua residência em Miami, ainda em atividade no futebol brasileiro. Daqui a alguns anos, o torcedor vai saber qual será o preço para alguns clubes submetidos ao idealismo de fachada.

Culpa

Há quem continue atribuindo culpa ao treinador Marcelo Oliveira pela perda do título da Copa do Brasil. O seu erro estaria na escolha de Jonas para a lateral direita deixando Airton na reserva. E aí Airton fez um gol de falta, e pronto: o treinador foi o culpado. Se Airton estivesse desde o início, sem recurso físico, o gol que marcou não sairia. Por seu lado, o Palmeiras teria criado mais chances para marcar do que criou com Jonas. Por questões condicionais, culpa-se um treinador que foi o responsável pelo time chegar às finais. É nesses momentos que o técnico precisa ir embora para deixar saudades.

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