Não se surpreendam se o Brasil jogar contra a Colômbia com três zagueiros. Se acontecer, o que é possível pelas reações de Felipão, a mudança terá muito mais apego ao passado do que à consciência dos equívocos presentes.
Em 2002, conta o livro de Ruy Carlos Ostermann, “Felipão, a alma do penta”, o treinador aproveitou a insônia para conversar com Paulo Cesar Carpegiani sobre as variações táticas para melhorar o futebol da Seleção. Carpegiani sugeriu o uso de três zagueiros para liberar Cafu e Roberto Carlos. Mas para isso teria que escalar o menino Kleberson para proteger os lados. O Brasil jogou mais e ganhou o penta sem traumas.
O Kleberson, de agora, seria Fernandinho. Como Felipão se agarra em tudo, inclusive em coincidências, lembrou que Fernandinho tem a mesma origem e Kleberson: o CT do Caju, do Atlético Paranaense. Para que passado e coincidências prevaleçam para formar a vontade final de Felipão, Fred tem que sair, transformando Neymar no atacante móvel, que Mano Menezes tentava impor antes de ser demitido.
Se Felipão usar o passado, o presente e as coincidências, e o Brasil ganhar, será possível afirmar que ele foi no mínimo humilde em abandonar os seus conceitos, que até agora não deram certos, e se basear nos conselhos dos outros.
O Brasil foi ambientado sob pressão para jogar contra a Colômbia. A descontração não significa necessariamente tranquilidade. Mal controlada, gera um excesso de confiança, que leva ao erro. O choro compulsivo de Thiago Silva, o tratamento psicológico emergência, a hipótese de mudança de esquema e de jogadores, e a afirmação de Felipão que se arrependeu de convocar “um dos 23”, e o atrevimento da Colômbia, colocaram o Brasil no fio da navalha. Talvez seja bom. Nesse estágio se ganha a consciência de que é preciso ir além dos limites. Se há condições de superação, a vitória se torna consequência.