Se o preço a ser pago for limitado à queda para a segunda divisão, o Coritiba sairá no lucro. Não estranhe a grande torcida alviverde, se a CBF em um ato administrativo ou a Justiça Desportiva em um julgamento extraordinário, punir o clube com uma pena mais grave. Rebaixá-lo direto para a terceira divisão, ou interditar o Couto Pereira por um ano.
É que nunca, em toda a história do futebol brasileiro, uma ação de violência praticada por uma torcida, teve a responsabilidade tão direta e imediata de uma diretoria, como a de ontem da torcida coxa. Após o empate com o Fluminense (1 a 1), que rebaixou o Coritiba para a segunda divisão, as organizadas invadiram o gramado e quebraram tudo o que viram pela frente. Inclusive pessoas.
A causa imediata não foi a violência do torcedor, que no futebol brasileiro se tornou algo natural diante da impunidade, inclusive da administração do futebol (CBF). A causa principal, no caso, foi a irresponsabilidade da diretoria do Coritiba, que ao reduzir o valor do ingresso para R$ 5, financiou aberta e ostensivamente a guerra.
Despudor escancarado, ninguém da diretoria coxa se deu ao trabalho de pedir autorização para a policia. Saberia que um bandido não paga R$ 40 para ir a um campo de futebol, mas milhares de bandidos pagam R$ 5. Um público de R$ 40 não faria o que o público de R$ 5 fez. E o Estádio Couto Pereira estaria lotado.
Sem ser especialista em segurança pública, e sem querer ser diferente, fui o único da imprensa esportiva de Curitiba, que censurou a diretoria, advertindo-a, de que esse ato era populista, queria esconder a incompetência, e como tal poderia ter conseqüências terríveis, como foram.
Alguma coisa vai ter que ser feita.