A excelente repórter Gisele Rech, de posse dos balanços do Atlético, Coritiba e Paraná, conversou com economistas e dirigentes, e o resultado está em matéria que a Tribuna hoje. A situação financeira dos três é rigorosamente igual à de todos os clubes do futebol brasileiro: assustadora. É um triste consolo. Fossem sociedades comerciais, estariam sob a ameaça de quebra.
Trato do Atlético.
A sua dívida exigível em abril de 2001, quando Mário Celso Petraglia impôs a sua forma de administrar, era de 700 mil reais. Na ocasião tinha disponível no caixa 800 mil reais. Petraglia exigiu que esse dinheiro fosse para pagar o passe de Fabrício e pagou. Quando assumiu, então, a dívida exigível do clube era de 700 mil reais. Fato incontroverso, pois está no balanço de janeiro de 2003.
Dois anos depois o Atlético anuncia só de dívidas em juízo de 11 milhões de reais. Seu balanço confirma que o gasto com o futebol em 2003 foi de 13,7 milhões de reais, e de administração o valor foi 6,4 milhões. Absorveu-se todo o dinheiro ganho na cessão dos direitos de Kléberson, que já deve ter se esgotado. A partir desses valores oficiais, com futebol e administração, é possível presumir que o Atlético tenha um custo mensal de um milhão e seiscentos mil reais. Seu déficit mensal deve estar na faixa de 500 mil reais. Não causaria nenhum impacto e seria rigorosamente normal, se atendesse a causa imediata da sua existência: desde abril de 2002, não ganhou nenhum título estadual, e no Campeonato Brasileiro só figurou para não ser rebaixado.
Um gasto absurdamente contraditório, pois não só não ganha títulos, como não revela jogadores por seu exclusivo trabalho, pois Dagoberto, Fernandinho e Jádson, suas grandes revelações, vieram do PSTC.
O Atlético vai mal, mas seus executivos vão bem, coincidentemente quase todos homens de confiança de Petraglia, direta ou indiretamente têm alguns dos maiores salários do futebol brasileiro. Um pelo outro a média bate nos 35 mil reais por mês.
Não é confortável esta situação de inchaço do Atlético, porque a fonte que remunerava todos esses gastos está atualmente seca: o mercado europeu de futebol empobreceu e não se dispõe mais a pagar um valor de “dois dígitos” como sempre afirmou Petraglia. Do atual futebol brasileiro, só Alex, que é titular dos seus direitos e Luís Fabiano podem render valores expressivos perante os europeus.
Há dois anos não se coloca um único tijolo no patrimônio do Atlético. Não se fala mais nos investimentos do CT do Caju, não se pagaram as dívidas já consolidadas e que oneram por penhora o patrimônio do clube, não se fala mais em finalizar a Arena e, ainda, quer-se acabar com a torcida, que é a base da existência do clube. E o pior de tudo é que Petraglia não aparece para prestar contas para o povo. De repente, ele pode ter uma razão e ninguém sabe.
A história de grandes empresas no Brasil nem sempre tem o final feliz. Parece que são grandes e sólidas, mas de repente se descobre outra verdade. Petraglia, por coincidência, é personagem de uma delas bem recente. E com um conselho omisso e manipulado pela paixão e por números virtuais que lhes são passados, é de se temer pelo Atlético.