Um dia desses narrei uma passagem da história do jogo de 1985, no Maracanã, que deu o titulo brasileiro ao Coritiba contra o Bangu. Foi o que bastou: muitos torcedores, lendo com o coração, não entenderam bem e me censuram.
Não me ofendi. O bom jornalismo opinativo e crítico é mesmo pautado pelo conflito de ideias. O jornalista que exerce a profissão ignorando o risco funcional, não deve ter coluna assinada.
Gosto de escrever sobre os Coxas. O título brasileiro de1985 não foi consequência de um projeto, foi eventual. Tornou-se possível quando o Bangu veio da repescagem para decidir no Maracanã. Foi eventual, mas foi justo, por que, enquanto chegou à final eliminando Corinthians, Sport, Joinville e Atlético Mineiro, o Bangu eliminou o Pelotas. Seria justo, sem a eventualidade, o título perdido da Copa do Brasil para o Vasco, em 2011.
Não foi diferente o título brasileiro do Atlético em 2001. Seu projeto, diziam os seus dirigentes na época, era para 10 anos, em 2005. Mas o regulamento da fase final lhe deu o beneficio do efeito “Baixada”. Em um único jogo, com um time que se tornou poderoso diante da torcida, arrasou São Paulo e Fluminense. Quando foi decidir com o São Caetano em dois jogos, o título era só uma questão de simples formalidade.
Seria justo, sem a eventualidade de regulamento, pois já era o sistema de pontos corridos, o título brasileiro perdido em 2004. O treinador Levir Culpi e o presidente Mário Celso Petráglia praticaram tantos equívocos que originaram a maior frustração da história do clube. Foi em Erechim que o Atlético ficou em estado de paralisia, que dura até hoje.
Dessa dissertação, extraem dois fatos: Coritiba e Atlético ganharam, por uma eventualidade. Quando tinham projeto, perderam.
Hoje, os Coxas começam a decidir a Copa do Brasil de 2012 contra o Palmeiras. Sem casuísmo, chegaram à final em razão de excepcional administração, que manteve uma proposta de futebol. O título será justo.