Não são poucos os amigos tricolores que tenho. Os da conversa da calada da tarde no café da Zacarias são especiais. Marcio Nóbrega Pereira, o filho e Turim, e o joalheiro René Dalitz, podem ter perdido as esperanças, mas não perderam o orgulho. E quantas vezes, por provocação, me recebem cantando o hino do grande João Arnaldo: “Meu Paraná, meu tricolor ….”
Ontem, procurei-os para saudá-los pela contratação do grande Velloso. Sempre entendi que o Paraná, antes de ter um bom técnico, teria que ter um grande goleiro. Desde que Flávio, o “Pantera”, foi embora, o gol tricolor passou a ser um drama. Apostou-se como solução em todos os tipos, velhos e novos, morenos, loiros e negros, baixos e altos. Mas todos submetiam o time às falhas e às desgraças de derrotas e fracassos. O melhor de todos foi o menino Gabriel, que nem sei por onde anda.
Não sei a idade de Velloso. Pouco importa. Se estiver jogando 30 % do que jogava quando surgiu no Palmeiras, pode até já estar na casa dos 40, que ainda assim será melhor do que todos que passaram pelo gol do Paraná desde Flávio.
O menino paranista não deve ter visto Velloso jogar. Surgiu, e ainda jovem, foi um dos melhores goleiros do Brasil. Era acima da média dos grandes goleiros, porque em razão da sua inteligência que permitia uma visão ampla de jogo, carregava a virtude de encurtar o caminho para a bola através da colocação.
Alex, o coxa, me contou certa vez que Velloso, por ter visão de jogo e noção dos espaços de campo, comandava a zaga.
Não se pode exigir o Velloso de 15 anos atrás. Não se vai contra a natureza. Basta lembrar o Velloso para que o drama do Paraná termine.
E se é verdade que vê taticamente um jogo, pode ser que se transforme em um treinador.
Rodada
Para o Atlético, basta administrar a diferença de sete pontos com o Coritiba para garantir as vantagens para a 2.ª fase. Talvez, baste um empate. O jogo em Cianorte será o mais difícil dos que faltam.
O grande jogo é o da Vila Capanema, entre Paraná e Coritiba.
Os dois times em crise. O Paraná com a crise escancarada. O Coritiba com a crise escondida. Se perder hoje, o movimento contra a comissão técnica vai ganhar vida externa. Alguns jogadores andam descontentes com o tratamento que recebem quando erram uma ou outra jogada, inclusive em treinos.