Essa nova crise na construção da Baixada, com a paralisação das obras por falta de pagamento dos operários, pode ser apenas uma pequena parcela da questão fundamental, que é o preço final da obra. Já se trabalha com a hipótese de que o valor final passe dos 330 milhões e alcance 400 milhões de reais, que é limite disponibilizado pelo BNDES.
A situação sugere um descontrole do que se dá e do que se gasta. No caso quem gasta fica à vontade para pressionar por mais dinheiro, deslocando-se toda a responsabilidade pelos equívocos para os políticos.
Tudo poderia acontecer neste momento, menos a paralisação da obra por falta de pagamento aos operários. Para a análise do fato é irrelevante procurar-se por culpados, investigar se Petraglia gastou demais (o que é verdade) ou se Richa e Fruet deram de menos (o que não é verdade). A essa altura não há mais lugar para vítimas, só para culpados. O verdadeiro perigo provém de todos os envolvidos na má gestão da obra. Todos perderam a razão por mais que a tenha e por mais que seja forte. Não há razão que supere a irresponsabilidade.
E nesse ambiente vai vivendo a torcida do Atlético.
Em uma semana sofreu duas humilhações: a eliminação do Estadual com goleada pelo Londrina, em jogo que poderia perder até por dois gols e a eliminação da Libertadores, num grupo com os carentes Universitario (Lima) e The Strongest (Bolívia). Mais grave do que ser humilhado, é ser desprezado pelo presidente Petraglia. Insensível com os fracassos no campo assiste passivamente o estado de precariedade técnica do Furacão, em razão de um time medíocre e de uma comissão técnica incapaz.