Fica Petraglia

A exceção do São Paulo e do Palmeiras, os conselheiros são servos usados para legalizar os atos da diretoria dos clubes.

Os conselheiros do Atlético foram chamados para autorizar a hipoteca da Baixada. Com certeza, ninguém irá lembrar que o presidente Petraglia jurou que o estádio seria construído sem alienar os bens do clube. Depois do CT do Caju, foram os direitos de televisão. Agora, a Baixada na sua parte nobre, que são os terrenos onde está o estádio. Com a indisponibilidade de todo o patrimônio, esvazia-se por completo o encanto que se tentava dar à autogestão.

A essa altura do jogo concorda que a Baixada seja a garantia real dos R$ 65 milhões que faltam, é até obrigação do Conselho. Negar está fora de questão. É um caminho de uma mão só, não tem volta. Do contrário a Baixada não será entregue para a Copa e haverá consequências contra o Atlético. E, juridicamente, agora, é irrelevante, porque perante aos credores, o clube é solidário ao pagamento até o ultimo centavo. Mas que fique claro: a alienação real da Baixada foi consequência única dos excessos praticados pela autogestão.

Em razão de que não há outra alternativa, a submissão da Baixada à hipoteca torna-se fato secundário. O principal é a proposta para prorrogar o mandato do Conselho Deliberativo por um ano. Veja bem: prorroga-se o mandato dos conselheiros e não do Conselho Administrativo, do qual Petraglia é o presidente.

Nem precisa se investigar a razão, pois Petraglia sempre agiu assim. Sem a obrigação do cargo de presidente, mas com o poder de mando, quer empurrar por um tempo o mandato dos conselheiros, que irão escolher, não necessariamente Petraglia. Seria transparente se fosse uma proposta mais ampla alcançando o próprio mandato de Mário Celso Petraglia como presidente do Conselho Administrativo. Conhecendo Petraglia posso afirmar que ele não aceitará ser presidente em dezembro, indicando alguém que atenda a sua vontade.

Por nova eleição ou por prorrogação de mandato, entendo que Petraglia deve continuar na presidência do Atlético por mais três anos. Será o período mais importante do futuro do clube porque terá que implementar todo o projeto de exploração da Baixada, criar mecanismos definitivos de faturamento para, ao mesmo tempo, desonerar o patrimônio pagando a dívida, e investir pesado no futebol.

Para construir a Baixada, em parceria com o poder público, hipotecando todo o patrimônio, não precisava obrigatoriamente de Petraglia. Mas agora, o Atlético irá precisar pois toda a obra foi executada em razão da projeção imediata e futura que realizou. Petraglia não pode é fazer o que fez na sua vida empresarial, que foi remeter as dúvidas para serem esclarecidas pela Justiça. É uma obrigação sua de continuar, e uma necessidade do Atlético tê-lo por mais três anos. E, aí, os conselheiros atuais tornam-se fundamentais: ou não concordam com a prorrogação ou só concordam com a condição expressa em ata, que Petraglia vai continuar presidente depois de dezembro de 2014.

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