Às vezes, escrevo sobre o Atlético lembrando de fato da minha vida. Certa vez, bem lá atrás, o presidente Mário Celso Petraglia me telefonou indignado com uma critica: “Você dá uma no cravo e outra na ferradura”. Ele quis dizer o seguinte: um dia me dedico a elogiá-lo, e no outro a criticá-lo. E era bem assim.
O zagueiro chileno Chistián Vilches me provocou essa lembrança. Ele, que havia falhado no gol de Marlone e empatado o jogo com o Sports, enterrou o Furacão contra o Flamengo no Maracanã: 3×2. Ao falhar nos gols de Wallace e Emerson, provocou a diferença que desequilibrou o time e tornou certa a derrota.
Mas o treinador Milton Mendes colaborou. E não foi por pouca coisa. Querendo ser moderno e europeu, logo no início tirou o menino Bruno Mota para satisfazer o comando e colocar o limitado Barrientos. E depois, tirou Nikão, ao invés de jogá-lo para o meio e aproveitar as suas virtudes, em especial o chute. Nikão não pode sair do time, porque sem ele, Walter é isolado e obrigado a brigar com o mundo. Deu pena de Walter, todo o seu talento jogado na solidão.
O Atlético de hoje é isso que Petraglia me ensinou: uma no cravo e outra na ferradura.
Salvação
Fiquei tão grudado no jogo do Furacão, que não vi nenhum minuto da vitória do Coritiba sobre o Palmeiras, 2×1. E pudesse ver, não seria hipócrita de analisar o jogo em si, sob o aspecto técnico, porque ele foi irrelevante. A vitória sobrepõe a qualquer análise do jogo.
A vitória não afastou o Coritiba da zona de rebaixamento. Aliás, falta muito para isso. Bem pensado, a vitória foi mais importante para Ney Franco, o treinador. Com ela ganha mais alguns dias de emprego.
Ou estou errado?