Surpreso com a excelente campanha do Coritiba antes da Copa do Mundo, escrevi que o bom treinador Fernando Seabra estava a criar um monstro que iria lhe engolir.
Não era um vaticínio ou palpite de esquina. Era a experiência do velho repórter para analisar as coisas inesperadas do futebol.
As suas ideias, executadas com autoridade, fizeram de um time comum e limitado, uma surpresa. Com vitórias fora do Couto, resultadas de uma ordem de jogo conservadora e prática, foi somando pontos que provocaram uma expectativa irreal.
Mais do que próxima a ilusão, uma grande mentira.
Quando os coxas comemoraram o empate a 3 gols no Atletiba, o monstro criado por Seabra deu as caras. Para o Coritiba voltar a vencer, exigiu-se mais qualidade do time. E qualidade não tinha, e, à exceção do goleiro Morisco e do zagueiro Jaci, qualidade não tem.
Para essa opinião ser tomada como verdade, não precisa fazer um retrospecto. Basta lembrar da derrota para o Grêmio. Com o jogo indo para o final, Joaquín Lavega correu com a bola em campo vazio, sem marcação. Na frente do goleiro Weverton, bastava dar um passo para o lado e finalizar.
Chutando em cima do gol e perdendo o gol, lembrou do seu conterrâneo Agustín Canobbio, de triste memória lá pelas minhas bandas. Quer dizer, não sabe chutar a gol.
E o gol que Sebastián Gomes perdeu? Simplesmente perdeu, por não saber cabecear.
Bem resumido, o que eu quero dizer é o seguinte: o real Coritiba é esse que luta para não ser rebaixado e não aquele que surpreendia com vitórias fora do Couto.
O treinador Fernando Seabra, por ser capaz, fez um time limitado jogar o que não sabe e não pode. Criando falsas expectativas, gerou um monstro que, agora, o devorou com a perda do cargo.
