Se foram, não sei. Mas bem contadas, 40 mil pessoas compraram ingressos para a festa da despedida do goleiro Marcos, ontem, no Pacaembu. O apelo popular do fato não foi provocado porque era a despedida do último grande goleiro do futebol brasileiro. Não se encontra na história, se Gilmar, que foi o maior de todos os tempos, ou Taffarel, que foi o maior dos últimos tempos, provocaram tanto o povo.
Qual o segredo de Marcos? Não foi craque embora tenha sido excepcional, porque goleiro e zagueiro estão proibidos de ser craques, carregando a obrigação de salvar, dar chutões, bater, sem direito de errar.
O segredo desta idolatria está na imagem de Marcos, construída a partir de uma fonte de virtudes técnicas inesgotáveis, que só a dor dos músculos conseguiu secar. A sua grande virtude como goleiro foi responder ao momento decisivo. Quando o Palmeiras precisou do goleiro para ganhar títulos, e a Libertadores, Marcos pegou tudo. Quando o Brasil precisou do goleiro (e precisou muito) na Copa do Japão, Marcos estava lá.
Para um meio desleal que é o futebol, Marcos foi exageradamente sincero. Para não guardar mágoa, e então, enveredar para a deslealdade, desabafava. E, depois, pedia desculpas, mesmo tendo razão. Tão sincero, que foi o último dos românticos, começando e terminando a carreira num mesmo time: o Palmeiras.
Com as suas virtudes estampadas na cara de bebê crescido, foi adotado por todos os brasileiros. Corintianos, inclusive. Da sua geração, Ronaldo e Rivaldo foram os melhores do mundo, mas nenhum foi tão ídolo nacional como Marcos.
Como imagem, Marcos foi o verdadeiro fenômeno.