Feitiço

Já perdendo a paciência com o ser humano, à certa altura de O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde fez uma divisão definitiva. ?Há apenas dois tipos de pessoas realmente fascinantes: aquelas que sabem absolutamente tudo e aquelas que não sabem absolutamente nada.?

Não estava errado. João Hélio Alves, o ?Feiticeiro?, é da primeira espécie. Sempre fascinou por centrar a sua vida na sabedoria. E na sabedoria mais pura que existe, ensinada pela vida. O seu ?feitiço? não estava no inusitado ou no desconhecido. O ramo de arruda inseparável da orelha era apenas o disfarce do seu grande saber.

Hélio é de fatos e casos.

De história e de lenda. Transparente, sem ser metálico. Antecipou o futuro do cargo de supervisor, e por saber tudo, ensinou há 30 anos que o final de um jogo é feito de verdade, que o derrotado nunca consegue compreender.

Vivi intensamente a pessoa de Hélio Alves. Convivi com a sua família. O almoço de Dona Nely uma vez por semana provoca-me lembranças e saudades. Vi seus filhos crescerem: Paulinho, e as filhas Liliane, Norma Regina e Luciane.

Toda quarta-feira ia almoçar em sua residência.

Nada mais fantástico do que os pratos de Dona Nely.

Quem viveu esse tempo vai lembrar, e quem tem a curiosidade de saber como era esse tempo, deve ir à Livrarias Curitiba da Boca Maldita, às 17h. O Feiticeiro do Futebol – A trajetória de Hélio Alves, escrita por Carneiro Neto, terá o seu lançamento oficial.

Mais do que a história de um grande homem, é a história de uma grande vida.

Oscar Wilde também disse: ?É absurdo dividir as pessoas em boas e más. Ou elas são interessantes ou são chatas?.

Quando termina o livro, conclui-se que Carneiro e Hélio estão do mesmo lado.

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