Feirantes

Há quatro meses, o fim de cada jogo da Arena lembra um pouco o fim de uma feira. Não se quer dar à comparação o exemplo pejorativo, em que o pouco que sobra é possível dar ou jogar fora, que nada se perde.

Nos finais dos jogos da Arena, a sensação que se tem é que nada resta: o técnico passivo é pouco lúcido; alguns jogadores que se pensa errar por inexperiência, erram por falta de qualidade; e, a demora de solução que os problemas exigem.

A derrota para o Goiás (3×2), não pode ser destacada e isolada do conjunto. Não se pode justificá-la pelo que foi o jogo em si, porque apenas repetiu fatos do atual cotidiano do Atlético em campo: erros individuais pela falta de qualidade, erros individuais pela falta de posicionamento, erros na execução de jogadas por falta e deficiência de treinamentos; submissão e entrega emocional na mais simples pressão adversária, que influencia até no comportamento da torcida. Essa que decidiu tantos jogos, agora, busca conforto até na ilusão do próximo jogo.

Não deveria ser assim. O time ruim ou não, não é tão ruim, ou melhor, do que a maioria que está jogando neste campeonato. Só o é mais ruim, porque se adota o princípio da lentidão nas decisões que têm caráter de urgência. Não falta comando no sentido de hierarquia, embora Alan Bahia e Dagoberto pareçam às vezes senhores e não serviçais; mas falta comando de consciência de que o futebol não pode esperar por soluções de natureza.

A derrota para o Goiás nada mais foi do que um fato desta rotina de equívocos, que não é atacada por um motivo absolutamente fútil: o orgulho de não se convencer do erro.

Givanildo já reservou passagem no ?Ita do Norte? e vai embora. O bom senso que teve para sair, ninguém teve para mandá-lo embora. Agora vai se especular sobre o novo treinador. Falam em Ivo Wortmann, desempregado há tempo por fracassos anteriores. Se for Ivo já é um treinador que chega provocando desconfiança.

Se for certa a política de não correr riscos com jogadores de ?ponta? em razão da pobreza do mercado, então a do comando do time tem que ser correta. E não é essa que está ai. Não foi por coincidência que no Atlético, depois das feridas curadas (1995) só deram certo Evaristo de Macedo, Geninho, Culpi e Antônio Lopes.

Entre os últimos, mas com tempo de reciclar o seu futebol, o Atlético só tem um tiro para dar.

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