Favoritismo

O Coritiba ganhou do Paraná (2×0) e pronto: passou a ser o favorito ao título. Até aí não há nada demais, porque projetar uma visão favorável a um determinado time para ser campeão é um direito que decorre dos mais diversos motivos que o futebol oferece.

Mas há uma questão a ser respondida: qual é o significado de uma vitória sobre esse atual Paraná? Abrange a referência de ascensão técnica ou se limita à satisfação da obrigação que decorre da lógica?

Não se engane o torcedor, seja ele do time que for. Se for possível ambientar o final a favor do Coritiba, o motivo não está na ascensão desse, mas na péssima impressão que o Atlético deixa a cada jogo. O favoritismo nessa situação é de circunstância, portanto gratuito. E favoritismo no futebol não pode ser abstrato, tem que necessariamente ser motivado por fatos concretos e de rotina. E não seria uma vitória contra o Paraná esse fato objetivo com a capacidade de antecipar solução futura.

O Coritiba melhorou, não há dúvida. Mas não ao ponto de antecipar o futuro mesmo tendo um Atletiba pela frente. Ao contrário, se a solução não for facilitada pelo próprio Atlético, o favoritismo termina no Atletiba.

Veja só o torcedor, seja ele do time que for, como todos nós somos egoístas. Trata-se de um futuro campeão, desprezando o fato de que a rivalidade entre Atlético e Coritiba pode ser saudável para o Malucelli, que vai comendo pelas beiradas, como diria o saudoso Bolão.

Lembrança

Bolão foi um andarilho do futebol nos anos oitentas.

Surgiu no futebol paranaense pelo Matsubara. Ganhou fama como revelador de jogadores. Provocava curiosidade pelo sotaque caipira das bandas de Ribeirão Preto. Em 1983, foi contratado pelo Atlético para ser o treinador porque Hélio Alves, que fora o técnico da bela campanha no Nacional, quis voltar à supervisão.

Sem compreender a contratação de Bolão, fui testar os seus conhecimentos na primeira entrevista. Perguntei-lhe: qual é o seu esquema para vencer os coxas?

Ele respondeu: comendo pelas beiradas!

Qualquer um que ouvir o querido Capitão, ponta direita do Atlético em 1982 e 1983 contar as histórias de Bolão, tem material para escrever um livro.

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