O futebol vive de verdades e mentiras. Mas também vive de ironias. E é a ironia a única explicação fora de entrelinhas para o tricampeonato ganho nos pênaltis pelo Coritiba. Com um time tão fraco como o do Atlético, os Coxas não sabiam que tinham uma única arma para ganhar: Guerrón, único atacante do Furacão.
A sua personalidade inibida por expulsões pretéritas no clássico, a suspensão do primeiro jogo e a pressão para decidir para o Atlético foram um peso extravagante para Guerrón carregar. Por isso, entrou descaracterizado para a final. Entre todas as virtudes que se exige em uma decisão por pênaltis, a mais importante é a psicológica. É a única que resta, quando todas as outras estão exauridas.
É com o equilíbrio emocional que pode se alcançar a superação contra as deficiências física e técnica. Se Guerrón não consegue em situações normais enfrentar essas deficiências naturais, não poderia carregar tamanho fardo, que era cobrar um pênalti em um momento ambientado por decisão. Foi o erro que beneficiou o Coritiba.
Para um campeonato fraco, a decisão por pênalti é a única solução. Antes dos pênaltis, um jogo ruim. O resultado sem gols deve ser posto como o resumo fiel do que ocorreu em campo.
Os Coxas ganharam o tri. Foi justo. O título em uma decisão por pênaltis, pode parecer, mas não é um alienação à sorte ou ao azar, e não é resultado do acaso. Sempre há uma virtude escondida que no momento aparece e decide.
No final de tudo, há um fato que explica. O comando do Coritiba foi mais racional como é o seu presidente Ribeiro de Andrade e o seu treinador Marcelo Oliveira. O Atlético viveu do improviso, da especulação tática, da excentricidade de Juan Ramon Carrasco. Tudo sob a complacência do presidente Mário Celso Petraglia, que concorreu diretamente para o tri do Coritiba, comprometendo ainda mais o seu currículo.
A arbitragem de Adriano Milczvski foi excelente.