Fato real

Não me faltaram razões para, ultimamente, esquecer do Paraná. A principal delas tinha origem na sinceridade: ninguém de bom senso poderia projetar a campanha do time com otimismo, com Bonamigo de treinador.

Não foi por coincidência, que o Paraná saiu da zona de rebaixamento para a 3.ª divisão. Tampouco foi coincidência, o salto para 10 pontos com a vitória em Criciúma, onde poucos ganham.

Não me surpreende esse otimismo, que foi bater, outra vez, entre os tricolores. Mas, poucos ainda não ganharam consciência de que atende por um nome: Rogério Perrô, o treinador.

Seus atributos pessoais se conciliam com o momento do Paraná: é preciso ser um profissional honesto para não explorar a angústia que domina qualquer clube de torcida, que está constrangida com a 2.ª divisão. Entender de futebol, Perrô não entende mais e nem menos do que a maioria dos treinadores, com a vantagem de ainda ser jovem na função, que não perdoa derrotas. Mas, não se aproveitar do sentimento de angústia dos outros, em um futebol de ética sempre duvidosa, é raro.

Essa aura positiva que Perrô trouxe para a Vila, deve empurrar, hoje à noite, o Paraná para uma vitória sobre o Vila Nova.

Cobranças

Ainda sobre treinadores. Roberto Fernandes, no Atlético, e Dorival Júnior, no Coritiba, estão aumentando o saldo devedor. Fernandes precisa definir qual é o time, qual é o esquema, se quer se defender e jogar no contra-ataque, ou jogar no ataque. O que não pode é correr o risco de escalar e projetar um time, e esperar o intervalo para mudá-lo. Concordo que as circunstâncias de um jogo podem exigir mudanças inesperadas. Mas, o mínimo de equilíbrio, se exige desde o início, porque nem sempre o adversário é falho como foi o Santos.

E Júnior precisa responder: como equilibrar um time, concentrando mais da metade dos jogadores no meio-campo?

Direito de resposta

Ao senhor Mafuz

Acusa o colunista que o árbitro do jogo Foz x Operário cometeu erro insanável, ao esperar apenas 10 minutos. Caro Mafuz, leia atentamente o que diz o artigo 35 do Regulamento Geral das Competições da FPF. A propósito, se fosse em competição nacional, o tempo seria de 5 minutos (Circular CBF 006/2004). Chamar Cascavel de ?quintal de Foz? é uma ofensa que merece daquela população e seus dirigentes uma resposta a altura.

De nossa parte, sempre existirá respeito a todos os clubes e cidades, pouco importando seu tamanho ou representatividade política no Estado do Paraná, pois defendemos o esporte apenas e tão-somente.

Por falta de criatividade, assunto ou quem sabe algo mais, prossegue na mesma toada de associar meu nome a antigas administrações da FPF, esquecendo que estou à frente da Comissão de Arbitragem por vontade dos clubes filiados.

O sr. afirma que o árbitro escalado reside a 100 Km de Foz (140 Km, para corrigir seu desconhecimento geográfico) e não poderia atuar, pois não seria neutro. Na sua ótica, a honestidade da pessoa está diretamente relacionada à distância que reside do local do jogo. Na verdade, árdua é a missão de combater o desconhecimento do colunista sobre o assunto arbitragem.

Muito embora a discussão seja tola, mas já que o jornalista não foi capaz de se cercar de melhores informações ao redigir essa coluna, prestar-lhe-ei tal auxílio.

O sr. Edivaldo Elias da Silva, árbitro dessa partida, é o 3.º árbitro do Paraná no ranking da CBF, compondo uma lista chamada ?CBF A? . Foi convidado para o teste da Fifa, no mês de junho, e está apenas atrás dos árbitros Fifa Héber Roberto Lopes e Evandro Rogério Roman.

E por que Evandro ou Héber não foram escalados? Simples! Ambos estavam escalados em jogos da 1.ª divisão do Campeonato Brasileiro, lembrando que Evandro também é de Cascavel.

Ainda se o desinformado jornalista tivesse verificado as escalas dos jogos do Operário, constataria que, na grande maioria, foram apitados por árbitros de Curitiba, inclusive na penúltima rodada, que poderia decidir a vaga à Divisão de Acesso, o que sepulta todos os seus argumentos.

Não sei se, por desconhecimento ou má vontade, faltou mencionar que a arbitragem é designada por sorteio, aberto ao público. É lei dr. Mafuz! A tempo, vale lembrar que o outro árbitro que participou do sorteio (Antônio Valdir dos Santos) é domiciliado em Curitiba e também do quadro da CBF. A propósito, pelo seu raciocínio, os árbitros da capital não podem mais trabalhar em jogos dos clubes da capital. Absurdo!

Felizmente, o jogo em debate foi transmitido, ao vivo, para todo o Estado e as imagens falam por si só. A arbitragem foi impecável. Não queira transferir responsabilidades. Parece doloroso para o colunista não encontrar nada que possa desabonar a conduta da arbitragem, tendo que se agarrar em mesquinharias.

Agora, o que precisa, efetivamente, ser investigado não é a arbitragem do jogo em Foz, mas sim o que leva um jornalista a um comportamento tão tendencioso.

Lembre-se, que foram os próprios árbitros honestos que botaram para correr alguns maus elementos, sustentados por dirigentes cafajestes e que tentavam ganhar os jogos burlando as regras. Isso deveria ser copiado por todos que se envolvem, de maneira direta ou indireta, no futebol paranaense.

Fique tranqüilo dr. Mafuz, que sob meu comando não há espaço para Harry Potter. Se conhecer algum, finalmente, preste algum auxílio ao futebol paranaense e o denuncie. Parafraseando-o: Perguntar não ofende: como grande advogado e jornalista, o sr. viu tudo e permaneceu calado durante todos esses anos?

Afonso Vitor de Oliveira – Presidente Comissão de Arbitragem FPF

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