Mensagens encheram o meu correio eletrônico. Algumas críticas, mas compreensivas, a maioria ofensivas. Os torcedores do Coritiba se apresentaram indignados com a minha coluna sobre a pesquisa, que concluiu, mais uma vez, ter o Atlético a maior torcida do Paraná. É um fato baseado em números que precisava ser comentado.
Não quis dizer que o Atlético é maior do que o Coritiba, pois não o é. São dois clubes com igual importância histórica, que dão materialidade a uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro.
O que eu entendo, é que o Coritiba precisa de um fato novo na sua vida. Há anos está vivendo da sua história. E nos últimos anos isso só foi possível em razão do seu presidente Vilson Ribeiro de Andrade, que está conseguindo administrar o passado e o presente. Esse fato novo poderia ter sido uma conquista nacional, que quase foi alcançada na Copa do Brasil em 2011 e 2012. E, ainda, assim seria um disfarce para sustentar o futuro.
O fato que o Coritiba precisa é tratar mais de si, e esquecer o Atlético. Não pode se utilizar de preposições políticas, como a do vereador Felipe Braga Cortes, que pensa que a sua cadeira na Câmara é a mesma do Couto Pereira.
O Coritiba não pode ser o Atlético de ontem, que se preocupava demais com os outros. Com o Coritiba, em especial.
Projeto
Na vida, há dois caminhos para se alcançar um objetivo: o do imediatismo, que tem como trânsito o dinheiro, e o do projeto estudado e executado com o tempo. Na execução, em um dado momento, os dois se confundem. A angústia pela conquista, às vezes, destaca mais o imediatismo. Mas com o tempo não basta apenas o dinheiro. Ele é absorvido pela falta de projeto.
Toco nesse assunto para exaltar mais uma vez a passagem do Barcelona para a semifinal da Liga dos Campeões. O seu projeto de dez anos eliminou com o empate (1×1) o imediatismo que o dinheiro árabe banca através do francês PSG. O futebol torce para que a final seja entre duas propostas racionais, executadas no tempo: Barcelona e Bayern.