Debates não acontecem por acaso, são motivados por fatos. O Dr. Marcos Malucelli, a quem nunca neguei respeito por conhecer o homem, não pode mais fechar os olhos para o que acontece nas ruas e nas arquibancadas: o povo atleticano clama, reclama e protesta por um fato na vida do clube.

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E não é o fato novo, convenção já ortodoxa pelo seu caráter populista. Fato novo, às vezes, carrega uma frustração ainda maior. O Atlético precisa é de um fato extraordinário, que já existe e que como ele expressou “tem mais três anos de vida útil para dar ao Atlético”.

O fato extraordinário atende pelo nome de Mário Celso Petraglia. Não há uma terceira via imediata, porque qualquer variante bate de frente com uma verdade, como escreveu o brilhante escritor José Geraldo Couto: o messianismo está presente em toda a torcida apaixonada. Mas tratando-se da torcida atleticana, escrevo eu, ele ganha uma condição de fundamento de vida.

Não sei a dimensão do valor que o Dr. Malucelli dá ao cargo de presidente. Um cargo que por ser estatutário, é precário, alienado a resultados de campo. Conhecendo-o como homem, bem sei que é menor do que a importância que dá ao Atlético, que por sua vez, é bem maior do que o orgulho próprio.

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Interpretou-se mal a saída do grande Fornea. Saiu porque tinha consciência de que a sua presença impedia a provocação de fatos. Se pendesse o orgulho próprio, em razão da construção da Baixada, teria mil motivos para não sair. E não sairia. E com certeza, alcançaria o seu objetivo. Mas como atleticano, apresentou um motivo – para o público banal – para desencadear esse clamor popular pela volta de Petraglia.

O Dr. Malucelli sabe que o futebol é como a vida: empurra-nos para situações que não queremos, e que fizemos de tudo para evitar (ou pensamos que fizemos) mas não conseguimos. É aí que temos que jogar nossa última carta para mostrar grandeza. É o espírito de renúncia, que veste o homem de majestade.

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Não pense que a volta de Petraglia é a solução. Muitos dos problemas do futebol originaram de sua administração. Se fosse eleito no lugar de Malucelli, há três anos, agora poderia estar sendo vitima de si próprio.

Ele próprio deve, por coerência, considerar um retrocesso. O seu plano de modernização do Atlético renovaria, também, os homens de comando.