Fato e lenda

Mário Celso Petraglia continua arrumando culpados para justificar a perigosa Ação de Execução de Titulo Extrajudicial proposta pela Fomento Paraná, que na falta de pagamento irá buscar a expropriação de todos os bens do Atlético. De imediato, Petraglia culpou o Município que não teria repassado o valor da venda do potencial construtivo. Agora culpa a “imprensa marrom”.

Eis a grande verdade: não falta ao Furacão causa jurídica para discutir um excesso de execução em razão do contrato-base que divide obrigações com Estado e Município. Falta para o clube amparo para expor as suas razões jurídicas, na medida em que há uma fusão nas figuras do Atlético e de Petraglia: o CAP já não consegue mais separar os seus objetivos dos que se presumem serem de MCP. Podem ser iguais e sérios, com base jurídica e moral.

O imortal cineasta John Ford, em “O Homem que matou o Facínora”, ao justificar porque deixou que o povo da cidadezinha acreditasse na lenda que quem matou o bandido (Lee Marvin) foi o senador (James Stewart), e não no fato de ter sido o mocinho (John Wayne) escreveu: “Quando a lenda vira um fato, publique-se a lenda”.

O fato do Município e do Estado, independente do mérito, terem distribuídos ações contra o Atlético com pedido de alienação de todos os seus bens, faz prova de uma evidência: Petraglia já não tem mais a influência política que tinha. A sua fama de fazedor a qualquer custo, transportada para o caso em que se discutem os limites de obrigações que envolvem dinheiro público, assusta e constrange.

Insisto em dizer, que ação própria, o Atlético tem razão jurídica em exigir a divisão por igual de todo o gasto da construção da Baixada. E os próprios procuradores dos agentes públicos teem essa consciência. O grande problema é que a fama de Petraglia coloca em dúvida os direitos do Furacão.

Petráglia deveria se afastar desse todo esse processo. O Atlético deveria convocar atleticanos que não estejam comprometidos com a construção da Baixada, afastando, assim, que qualquer ato seja interpretação como conflito de interesses.

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