Fato e consequência

Nós cronistas dizemos que não nos influenciamos pela narração e pelos comentários da transmissão pela televisão. Não assumimos essa verdade por orgulho, por ser inerente ao ser humano não querer ser influenciado. Bem por isso, corri para ouvir a narração das imagens por Milton Leite e Mauricio Noriega. Então, vi um jogo normal e livre de qualquer influência.

O Brasil ganhou do México (2 x 0) e a consequência foi a classificação para a semifinal da Copa das Confederações. No futebol, a consequência é mais importante que a origem. Mas, às vezes, para não ser pego pelo engano no futuro, não se pode dissociá-la do fato que lhe deu causa.

Dizer que o importante é ganhar, conclui-se pela verdade única no futebol, mas nas circunstâncias é muito cômodo. A Seleção Brasileira anda tão insegura pelas suas deficiências individuais, que não suprem a superada filosofia de Felipão, que o mal jogo que fez foi mais importante que a consequência. A explicação é simples e o torcedor já deve ter dado: a única diferença do jogo foi Neymar e no uso do contra-ataque, como no gol de Jô, que decidiu.

O resumo da carência do Brasil é que jogou oitenta minutos no contra-ataque. Algumas virtudes isoladas são absorvidas pela nova criação de Felipão, como o esquema “zagueiro-zagueirada”

A origem do fato passa a ter mais relevância do que a consequência. É que nas fases seguintes, o Brasil não terá mais indefesos como Japão e México. Resta saber se contra a Itália ou contra a Espanha, ou contra os dois, bastará Neymar para ganhar.

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