Não nos deixemos corromper por mágoas, que de tão velhas já estão morrendo, disse a viúva, bela e chorosa. Fermina Daza ao despertar os seus sentimentos por Florentino Ariza, na estória de Gabriel Garcia Márquez em ?O Amor nos Tempos do Cólera?. Então, sejamos justos. Estávamos jogados em tédio, cansados de dormir a sesta das férias, quando o indomável Mário Celso Petraglia confirmou: Lothar Matthäus, o futuro técnico da poderosa Seleção da Alemanha, no Atlético.

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Li tudo e ouvi tudo. Foi um caos de opiniões e pensamentos resumidos em uma frase: marketing do Atlético. Desculpem-me, mas repercutir a contratação de Matthäus como se fosse um mero instrumento de propaganda é ser muito cômodo em relação a ter idéias. O aspecto nuclear do fato não foi a sua repercussão, esta foi apenas a conseqüência.

Narremos o fato. Iremos concluir que a importância neste primeiro momento é muito maior para Matthäus. Escolhido por Beckenbauer para ser o futuro técnico da Alemanha, teria que cumprir uma condição: trabalhar pelo menos um ano em um ?time de ponta? do futebol brasileiro ou argentino. O conceito de time de ponta, para o europeu, não está restrito à tradição ou conquistas passadas. Mas ao seu presente e seus projetos futuros; ao seu poder estrutural e administrativo, e a influência dos seus atos na opinião pública. Matthäus, então, escolheu o Atlético. E depois de o conhecer transformou o interesse profissional na realização de um sonho.

Então, ao contrário do que se concluiu, é Matthäus que faz do Atlético o trânsito para alcançar um estado definitivo como treinador. Os alemães, com o seu querer de perfeição, reconhecem o Atlético como time de ponta no Brasil, e esta sim passa a verdade que é preciso adotar para a conclusão do fato do ano.

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