Todos nós temos visto fantasmas.
Havia um tempo em que via muitos deles, mas nenhum era igual ao juiz do jogo. É mais ou menos como os fantasmas que atormentavam o matemático John Nash, em “Uma mente brilhante”, na interpretação do fabuloso Russel Crowe.
A expectativa do erro cria o medo, que não permite medir as intenções. Naquele tempo de fantasmas, o árbitro parecia não ser humano, e por isso o seu erro parecia ser intencional.
Em 1971, os meus fantasmas quase me levaram ao extremo delírio. Noite fria de quarta-feira em Curitiba. No apito do Atletiba, Armando Marques, que antes de ser o melhor do Brasil, era amigo de Evangelino Costa Neves, presidente do Coritiba.
Os coxas ganharam: 2×1. O segundo gol, um erro de Armando.
No dia seguinte, Evangelino me provocou, me convencendo que Armando havia almoçado na Casa da Julia, na Rua Julia Vanderley, onde o Coritiba se concentrava.
Com o tempo fui matando os meus fantasmas. Não por eles não existirem, mas porque já não valia mais a pena sofrer por eles. E, também, porque existem para todos, e estão espalhados para todos os lados.
Mas ontem carreguei um deles.
O Atlético joga com o Vasco, em São Januário. Os dois pau a pau, lutando contra a segunda divisão.
Nas mesas de segunda-feira, da “grande imprensa”, bateu-se numa tecla: o Vasco de Roberto Dinamite não pode ser rebaixado para a segunda divisão. Se o fosse o Vasco de Eurico Miranda, talvez, não haveria essa conclamação predatória a favor do time de Dinamite.
Pode até ser que o árbitro, o qual desconheço o nome, não seja o fantasma que imagino. Só sei que é capixaba, de Vitória, grudada no Rio de Janeiro, e que no seu inconsciente acha que Dinamite não pode cair.