A mística de uma camisa não é uma coisa que se vê, mas se sente: é uma coisa reflexiva, que faz pensar. Mas no futebol onde tudo é extraordinário, em que nada nasce e vive isolado, a mística para influir na solução de um jogo, precisa de um estímulo material, que é a qualidade do jogador.

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Os coxas foram decidir o titulo com o Operário dando crédito à esse enigma da sua histórica camisa. E, aí, se enganaram. Desprezaram o fato de que ela só se tornou mística porque em um dado momento da história vestiu Fedatto, Duílio, Hermes de Freitas, Oberdã Vilain, Claudio Marques, Célio Maciel, Joel Mendes, Jairo, José Hidalgo, Dirceu Kruger, Gomes, Lela e Alex, o último deles. E que no banco tiveram Tim e Enio
Andrade.

Ontem no Couto Pereira, a camisa dos coxas descoloriu e perdeu a mística por ser vestida por Vana, Welligton, Welligton Paulista, Keirrison, Helder, Norberto e o técnico Marquinhos Santos, o eleito de Alex.

O Coritiba não perdeu o título pelo casuísmo de regulamento. Não perdeu pelo jogo de dados, do seu azar ou da sorte adversária. Perdeu porque não teve recursos para enfrentar o Operário, um time de operários bem disciplinados na técnica, na ordem e na alma. Juba e Ruy foram o resumo da grandeza de Ponta Grossa. O terceiro gol foi uma obra prima de organização tática. Nesta altura, o Fantasma era tão perfeito e irretocável, bailava os coxas, que já poderia jogar com a faixa de campeão.

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No Couto Pereira, se dó e sem piedade, Operário 3 x Coritiba 0.

Se a reversão de dois gols já era dificil para o Coritiba, tornou-se impossível quando o treinador Marquinhos Santos praticou outra equivoco obtuso: precisando ganhar por dois gols, adotou o superado esquema de três zagueiros, abrindo os lados para o contra ataque do Operário, em especial pela esquerda: três bolas, três gols.

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Não existe homenagem mais doce e mais nobre para um campeão do que os aplausos da torcida adversária. Os coxas renunciaram ao orgulho e aplaudiram o Fantasma. Foi o único momento em que o Coritiba voltou a ser grande no Couto Pereira.

Essa coluna é uma homenagem ao jurista de Ponta Grossa Luiz Carlos Bittencourt.