Acabo de ver o Atlético ganhar do Tupi (2×1), e ser eliminado, na Baixada, pelo regulamento da Copa do Brasil. Antes de qualquer coisa, abro um parêntese. Para o leitor ter uma ideia de quem é esse Tupi, adote como referência seu goleiro: quase quarentão, não passando sem censura pela balança dos Vigilantes do Peso, batendo nos 120 quilos é a estrela do time de Juiz de Fora. Esse Tupi lembra em certos momentos, um time de final de semana. Fecho o parêntese.

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Mas o que me deixa triste não é esse novo fracasso. É o meu conforto com o fracasso. E esse deve ser o sentimento de todo o atleticano: a derrota se incorporou de tal forma à vida do clube, que ela passa a ser natural.

O conforto na derrota significa a perda do orgulho próprio. O atleticano dá impressão que perdeu o orgulho. Talvez, o único que não perdeu, seja o presidente Mário Celso Petraglia: é que por não ter orgulho, talvez, só tinha a vergonha para perder. Não existe outra explicação para tamanha passividade face aos fracassos, insensibilidade com o sofrimento do torcedor e a indiferença com o futuro.

Não tem outra explicação para um dirigente, que depois de errar tanto, confessar o erro, erra consciente, outra vez com a contratação de Milton Mendes para treinador. Há outra explicação para o dirigente que pede perdão por escrito para a torcida, promete grandes contratações, e um mês depois afirma que as contratações foram fracas?

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Cor cinza

Em razão dos meus principios católicos, não sou supersticioso, e por isso, não acredito em coincidências. Mas confesso que no final do jogo, lembrei-me do que uma magistrada, atleticana das grandes, me falou: a cor cinza da Baixada está gerando fluídos negativos para o Atlético. A essa altura, quando há conforto para tudo, e o presidente jogou fora a vergonha, acreditar em superstição está dentro do limite, e não é pecado.

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Começar o Brasileiro com Milton Mendes no comando do time mais do que não ter mais vergonha, é ser irresponsável.