Falta de identidade

A cidade de Curitiba foi excluída da Copa das Confederações, e o culpado é o Clube Atlético Paranaense – foi o discurso adotado por politicos e imprensa. Dois erros na análise de um fato. Um associado ao outro.

A escolha de Curitiba para a Copa do Mundo já foi casuísmo. Não foi resultado de apelo popular ou de força política, industrial ou a qualquer título.

Decorreu da obsessão do empresário Mário Celso Petraglia, que provocou a ação do prestígio isolado do ministro Paulo Bernardo. O ex-presidente Lula não tinha como negá-lo, e por isso exigiu que Curitiba fosse, também, escolhida. Mas Curitiba é apenas uma subsede da região Sul, da qual Porto Alegre é a sede.

Na Copa das Confederações, a Fifa não escolhe cidades acessórias. Entre os objetivos, está a de proceder a testes nas cidades que serão sedes principais da Copa do Mundo.

A Copa do Mundo não trata de políticas e conflitos sociais. Por isso, nela, o verbo excluir não pode ser aplicado no conceito variável aplicado às políticas sociais, mas literal. Não há exclusão de quem sequer foi incluído.

E, ainda que assim fosse, o motivo não seria o suposto impasse da Arena da Baixada. O impasse foi superado, o que há é a espera da reunião do próximo dia 30 de maio entre a presidente Dilma com governadores e prefeitos das sedes e subsedes.

A causa é o Paraná como agente. Nunca teve líderes em blocos, sempre isolados. Para descobrir que poderia ser um pólo agrícola, foi preciso que um jovem de 36 anos de idade, Paulo Pimentel, fizesse a revolução nos anos setenta. Depois, que Ney Braga fosse prestigiado pelos militares.

Hoje, há crise de identidade em todos os seus segmentos do Paraná. Agora mesmo, a Positivo Informática, nossa menina dos olhos deste segmento industrial, confirmou um prejuízo de 30 milhões de reais e a perda da liderança nacional do setor.

A sua política interna se limita aos escândalos da Assembleia Legislativa, às simples notinhas de um Estado que saiu da moratória para a inadimplência, e de um comando municipal desconhecido da população. Beto continua sendo filho do Zé, e Ducci é desconhecido por oitenta por cento da população.

Não se adquire identidade própria ou prestígio popular escondendo-se por trás dos outros. É preciso tomar atitudes populares ou não. Por essa omissão, desse modo, todos os deuses e poderes se escondem, consideram-se desobrigados, e a culpa de todo o mal é atribuída ao Atlético.

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