Os atleticanos me provocam para a seguinte questão: se o time do Atlético fosse o principal perderia o título para os Coxas? Sem entrelinhas, respondo: em tese, também perderia. Procurem entre as minhas analises de janeiro, quando se oficializou a exclusão do Atlético das transmissões da televisão. Em uma delas, escrevi que existiam dois motivos para o fato. O aparente foi o financeiro, que se tornou irrelevante diante do motivo de fundo, que era o de evitar a exposição de um time fraco, provocando pressão da torcida, que exigiria investimentos imediatos no futebol.

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Peço licença ao presidente Petraglia para usar a expressão cunhada pelo escritor norte-americano Norman Mailer, mas sempre usadas em suas notas oficiais: o “sub-23” foi um factóide. Por um descuido do Londrina, que perdeu em casa para o Operário, fez a maior torcida do Paraná sair por aí viajando na ilusão.

Agora, o Atlético vai começar o Brasileiro. O time é o mesmo que subiu para a 1.ª Divisão por uma diferença casuísta de regulamento. Escondido da torcida, está colocando o time na esteira ilusória do “sub-23”, com as vitórias sobre o Brasil de Pelotas e o América de Natal, times semiamadores.

A história de que é um ano de sacrifício por causa da construção da Baixada tem que ser revista. Revisem todas as entrevistas do presidente Petraglia desde que voltou no final de 2011. Em todas, garantiu investimentos no futebol, afirmando-os independentes da obra. A única contratação foi a de Éverton, que não é melhor que os meninos Hernani e Zezinho.

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A verdade é que o Atlético há muito vive de factóides. Sempre surge um, que transfere o futuro para amanhã. Futuro, esse, que nunca chega. E a torcida apaixonada, acredita. E assim, as suas crianças se obrigam a aprender o sentido figurado da expressão “freguês de caderninho” dos Coxas.