Exercício do prazer

Quando o princípio da lógica toma o comando de um jogo de futebol, a solução é dada sem traumas e afastada do risco de erro. O que era lógico ontem na Arena era previsível: o Atlético ganhar do Criciúma. Só que ganhou goleando, 6×1. Era previsível a goleada?

Não era, como não o é nenhum resultado que extravase a normalidade em um futebol em que a marcação criou uma aparente igualdade. Mas a goleada de ontem tornou-se absolutamente previsível a partir do momento em que as diferenças entre Atlético e Criciúma começaram a aparecer em campo.

O Furacão não começou bem por causa do erro de passe. Quando fez o primeiro gol com Fernandinho, era irregular. O gol o acalmou e com Jádson e Denis Marques excepcionais, passou a submeter o Criciúma ao seu domínio.

O segundo gol com Alan Bahia encurtou o prazo para a solução definitiva do jogo. Em razão da lógica, um tempo já tinha sido o suficiente para antecipar a vitória. O objeto do jogo, então, passou a ser a extensão da vitória, pelo tamanho do placar.

Em um futebol em que a marcação reduz a técnica, e aparentemente é capaz de provocar equilíbrio, não é qualquer um que precisa apenas de um quarto de jogo para resolver a sua vida.

Com o passe certo, o Atlético é irresistível. Na Arena, invencível. No segundo tempo de ontem, previsível: iria golear. E os gols vieram com Washington (2), Moraes e Denis Marques. Jogou tão bem, foi tão superior, que usou do luxo de transformar a montagem do placar no alegre exercício do prazer.

Entrou como saiu: líder e com jeito de campeão. Jádson e Fernandinho foram os melhores em campo.

Fracasso

O Coritiba não deu um vexame no Caio Martins contra o Botafogo.

Deu um grande vexame. Não pela goleada de quatro a um, mas pela forma bizarra como jogou. Submeteu-se a um dos piores times deste campeonato, e nem mesmo quando empatou, conseguiu mostrar condições de igual.

Dirão que Antonio Lopes é o culpado. Já entendo que o equívoco não está no treinador, mas da péssima avaliação que se faz das "revelações" vindas da base.

Perdendo como está, o Coritiba vai ficar na bacia das almas.

Embora não corra nenhum perigo matemático, seus números no final estarão no limite.

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