Algum dirigente do Coritiba já fez a seguinte pergunta a Marlos: o que quer da vida, menino? Ontem, ouvi dizer que é preciso compreender Marlos. Porque é menino ainda, tem formação humilde, é pobre, e, por isso, precisa aprender com a vida. Não concordo com essa proteção assistencial.
Alex, que é o ídolo de Marlos, e que os apressados o compararam, é um exemplo de que a responsabilidade do jogador não está associada à sua formação pessoal. Como Marlos, Alex era pobre e tinha uma formação humilde. Pois, foi exatamente em razão disso, que assumiu todas as obrigações pessoais e profissionais, com responsabilidade.
É o exemplo de que a responsabilidade, como componente dos atributos pessoais, não decorre do estado socioeconômico. E nem é preciso ter a sorte, que Alex teve, de cruzar no seu caminho uma mulher como Daiane.
O comportamento de Marlos no Mineirão se torna ainda mais censurável, porque foi premeditado. Ele não foi expulso em um lance natural de jogo. A agressão foi intenção aparente, que esconde a intenção abstrata, que é querer, por um motivo ou outro, ser expulso.
O que quer, afinal, esse menino? Ir embora? Henrique foi e está se tornando milionário, sem buscar no casuísmo da lei e do contrato a válvula de escape. Keirrison, às vezes, nem parece que está se despedindo, tamanha a dignidade com que se dedica ao Coritiba, e cumpre o seu contrato.
Um conselho para Marlos, de quem defende os direitos do jogador há 30 anos: não brigue com o clube que o revelou. Faça como o menino Éverton fez com o Paraná. Aconselhado a depositar apenas R$ 300 mil para romper o contrato e ir embora, respondeu: “Da mesma porta que entrei, quero sair do Paraná.”
Exemplos não faltam para Marlos. Nem exemplo e nem tempo.