Quem está em estado de desgraça, qualquer fato positivo que ocorra, já trabalha como conforto. Dizem que a reação do Coritiba no campeonato tem origem nos jovens que ainda estão em formação. Em tese, não há motivo de controvérsia, porque foi a partir da presença desses jovens que o Coritiba se afastou do desconforto das últimas colocações. Mas na prática não se pode ter o fato como verdade absoluta. Não foi espontâneo, foi forçado. Renovação espontânea é aquela em que independente dos critérios de formação de um time, o jovem obrigatoriamente tem que ser titular. No caso do Coritiba, a renovação é forçada, conseqüência direta dos erros do comando do futebol. Contrataram quinze jogadores contra a vontade de Márcio Araújo, que então se obrigou a buscar solução na criação de base.
Todo resultado involuntário e não espontâneo, principalmente quando se trata de futebol, precisa ser melhor avaliado. O critério de observar requer sabedoria e projeção futura. O mercado não permite mais a revelação de craques como antigamente.
No passado, além das virtudes naturais, a formação técnica, tática e psicológica do jogador era completa. Hoje qualquer menino razoável é transformado em grande jogador para negócio imediato.
Mas isso é bom para quem está na primeira divisão do futebol brasileiro. Não é o caso do Coritiba. De repente, por lhe faltar técnicos que melhor observem as condições de um jogador (repito, erram nas quinze contratações), o clube está sendo vitima de si próprio. Acredita que tem craques para voltar à primeira divisão.
Dúvidas
Alguns conselheiros do Coritiba, quase todos da oposição, querem saber qual a razão dos direitos sobre o vínculo desportivo de alguns jogadores, deslocaram-se a favor de empresários. O exemplo principal que dão para buscar a explicação, é o de Keirrison. Está no Coritiba desde o infantil. No entanto, cinquenta por cento (dizem setenta e cinco) estão disponíveis a favor da Massa & Massa.
Não sei o que ocorre na vida dos clubes. E se ocorre, quais os motivos. Mas questionado sobre a legalidade dessas parcerias, respondi que são absolutamente ilegais. É que pela lei só podem ser titulares dos direitos sobre o vínculo (extinto passe) o jogador e a associação que tenha como objeto a pratica desportiva.