Não gosto de metáforas, mas algumas são inevitáveis. Tinha os olhos para o Atlético, em Sete Lagoas, mas não o via. Não gosto do silencio como modo de censura, por ser o pior de todos eles.
Mas já é hora de se enfrentar os erros de Adilson Batista no comando do Atlético. Um, em especial, por ser a fonte de todos eles: o excesso de volantes no meio-campo não tem explicação teórica, acadêmica, o que torna impossível a explicação pratica que sempre é usada pelo treinador.
Não há nenhuma explicação para se projetar um time com quatro volantes, que por natureza carregam características similares. A questão não é se Cleber Santana, Paulo Roberto, Deivid e Marcelo Oliveira são ou não bons jogadores. A questão é a que eles, tendo as mesmas características, privam o time de outras funções. Mais grave: se os objetivos é marcar no meio e proteger a zaga, nenhum deles é alcançado. E mais: esvazia ainda mais Guerrón como atacante.
Às vezes, por mais que não se queira ver o que se enxerga, chega um momento que é obrigado a vê-lo. Quando vi Adilson trocar o excelente lateral-direito Rômulo por Wendel, outro volante, cai em desgosto. E quando ouvi Adilson, já nervoso, declarar que colocou “mais um volante” para não perder de seis, coloquei em dúvida o que dele se espera.
Um técnico se irrita quando no íntimo reconhece seus erros. Se foi por isso que ficou nervoso, Adilson deveria ficar um pouco mais: há tempo, desde que assumiu, a defesa está mal posicionada, mal protegida, mal coberta, não obstante o batalhão de volantes.
Há momento para tudo. O momento de cobrar resultados de Adilson chegou para a diretoria atleticana.